UEFA, AFC e CONCACAF reiteram "quebra de confiança" no presidente da FIFA
Hoje 17:12
— Lusa/AO Online
Numa
“carta aberta à família do futebol”, os três organismos
que representam a Europa (UEFA), América Central, Norte e Caraíbas
(CONCACAF) e Ásia (AFC) voltaram a criticar Gianni Infantino e aquilo
que consideram uma política autocentrada.“A
liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de ostentar — ou
exigir — poder para o exercer. É um dever de serviço à família do
futebol que lho confia. Quando a confiança é quebrada através do engano,
quando uma pessoa se coloca acima do coletivo que lhe confiou
autoridade, esse dever foi abandonado", afirmaram na carta.A
missiva é subscrita pelos presidentes e secretários-gerais da UEFA
(Aleksander Ceferin e Theodore Theodoridis), da CONCACAF (Victor
Montaglian e Philippe Moggio) e da AFC (Salman Bin Ibrahim Al Khalifa e
Datuk Seri Windsor John).Os três
organismos adiantam que não se trata de dinheiro, da perda de apoios ou
da reconfiguração na expansão de competições, algo decidido em conjunto,
mas da “integridade do futebol” e “daqueles que foram eleitos para o
liderar”.Focando-se ainda na intenção,
entretanto abandonada, de Infantino em criar uma subsidiária da FIFA,
com um limite de entrada de privados até 20%, para comercializar as suas
competições, UEFA, AFC e CONCACAF voltaram a apontar o dedo ao
italo-suíço.“Uma proposta submetida em
circunstâncias extremamente restritas, sem consulta significativa e
apressada para um prazo final antes que as associações-membro [211]
pudessem examinar adequadamente os seus termos, não é o resultado de
negligência, mas sim de uma estratégia para limitar a fiscalização”,
acusam.Na carta é ainda criticada a
recente ida de Infantino a Marrocos, já após a crise da intenção de
criar uma subsidiária, com UEFA, AFC e CONCACAF a denunciarem um
comportamento que, dizem, reforça a ideia de alguém que entende que o
futebol lhe deve algo.“Esta recente
reunião, na qual um grupo restrito de membros do Comité de Gestão da
FIFA — em vez de todo o Comité — foi convocado no estrangeiro, em vez
dos dirigentes se deslocarem a Zurique para se dirigirem ao coração da
FIFA, dos seus funcionários, apenas reforça estas preocupações e
representa a continuidade do mesmo padrão de comportamento que nos levou
a esta situação. Não se trata da conduta de um guardião do futebol, mas
de alguém que acredita que o futebol lhe deve prestar contas a ele”,
acusam.A finalizar, os responsáveis das
três confederações apelam à unidade das federações-membro e reiteram que
são os dirigentes que devem servir o futebol e não servir-se dele.“Há
silêncio onde deveria haver responsabilidade, distanciamento onde
deveria haver transparência. Não são estas as qualidades que o futebol
merece nos seus dirigentes. É por isso que adotamos esta postura: não de
ânimo leve ou por conta própria, mas em conjunto, e pelo dever que
temos para com o futebol que servimos”, referem.