UE “sem vontade” para expandir missões navais para o Estreito de Ormuz
Irão
Hoje 18:03
— Lusa/AO Online
“Por agora, não há vontade em
mudar o mandato da operação ‘Aspides’”, afirmou Kaja Kallas em
conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros dos
Negócios Estrangeiros dos 27 da UE, em Bruxelas. A
Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de
Segurança referia-se à missão naval “Aspides”, que visa proteger navios
comerciais e mercantes no Mar Vermelho, e que poderia eventualmente ser
mobilizada para o Estreito de Ormuz caso os 27 assim o decidissem. Kaja
Kallas referiu que, na reunião, os ministros concordaram em reforçar
essa missão, “porque não dispõe de muitos navios”, mas não quiseram
expandir o seu mandato para o Estreito de Ormuz, optando por mantê-la no
Mar Vermelho.“Embora o Estreito de Ormuz
esteja no centro das atenções, o Mar Vermelho continua igualmente a ser
crucial. O risco de os Huthis [rebeldes xiitas iemenitas] se envolverem é
real, pelo que devemos permanecer vigilantes”, defendeu, considerando,
contudo, que se mantém “uma prioridade urgente” retomar a exportação de
fertilizantes, comida e energia através do Estreito de Ormuz.Questionada
sobre como é que irá conseguir conciliar o facto de os Estados-membros
não quererem expandir a presença naval para o Estreito de Ormuz mas
defenderem a retoma das exportações nesse eixo central do tráfego
marítimo, Kallas respondeu que “ninguém quer entrar ativamente nesta
guerra” e o envolvimento que a UE tenciona ter é sobretudo diplomático.“Esta guerra não é da Europa”, disse, antes de deixar críticas aos Estados Unidos e a Israel.“Não
começamos esta guerra e os objetivos políticos não são claros. É claro
que dialogamos com as diferentes partes, mas as guerras são fáceis de
começar, muito difíceis de acabar e a situação torna-se complicada, foge
ao controlo”, disse, frisando que cabe a “quem começou esta guerra
indicar os objetivos da ação militar”.Kallas
frisou que “a Europa não tem qualquer interesse numa guerra sem fim” e
salientou que “apesar de esta guerra ser do Irão, os interesses da
Europa estão diretamente em jogo”.“Duas
semanas de guerra degradaram as capacidades militares do Irão mas também
provocaram ondas de repercussão na área da economia e da segurança. O
Irão está agora a travar uma guerra contra a economia mundial. Os
ministros reafirmaram hoje que o foco deve ser a redução de tensões e a
liberdade de navegação”, disse.A Alta
Representante da UE salientou que o encerramento do Estreito de Ormuz,
por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de gás e petróleo,
está a ter consequências a nível energético sobretudo na Ásia, mas o
facto de também impedir a exportação de fertilizantes afeta África.“Se
não tivermos fertilizantes este ano, vai haver fome no próximo. Por
isso, é uma guerra muito, muito grande, com muitas consequências, e por
isso é que estamos também a contactar os nossos parceiros para ver como é
que podemos, em conjunto, convencer as partes beligerantes a cessarem
os combates. Estamos a trabalhar nesse sentido”, afirmou.Sobre
o facto de o Irão ter indicado que só vai impedir a passagem no
Estreito de Ormuz aos seus inimigos e o impacto desta medida, Kallas
referiu que há “vários atores em jogo” no transporte marítimo, como as
seguradoras ou as tripulações dos navios, que podem recusar navegar no
Estreito de Ormuz enquanto não houver garantias efetivas que a passagem é
segura.“Por isso é que é necessário haver
resultados concretos e tangíveis que mostrem que a passagem é pacífica e
segura. Não se baseia apenas em avaliações de ‘se somos os inimigos ou
não somos inimigos’. É muito complicado”, referiu.