UE saúda atitude de Zelensky para garantir independência de agências anticorrupção
Ucrânia
24 de jul. de 2025, 16:11
— Lusa/AO Online
"Vimos
que o Governo ucraniano tomou medidas. Congratulamo-nos com estas
ações", afirmou Stefan de Keersmaecker, um porta-voz da Comissão
Europeia, em Bruxelas.O Presidente
ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou hoje que propôs um novo projeto
de lei para garantir a independência dos organismos anticorrupção do
país, na sequência das críticas ao diploma aprovado na terça-feira."Acabo
de aprovar o texto de um projeto de lei que garante um verdadeiro
reforço" dos serviços de justiça e de segurança e que os protege "de
qualquer influência ou ingerência russa", assegurando simultaneamente "a
independência dos organismos de luta contra a corrupção", anunciou
Zelensky na rede social X.Este novo documento "será apresentado hoje ao parlamento ucraniano", acrescentou.Na
terça-feira, o parlamento ucraniano aprovou uma legislação que coloca
as atividades desempenhadas pelo Gabinete Nacional Anticorrupção
ucraniano (NABU) e pelo Gabinete Especializado Anticorrupção (SAPO) sob a
autoridade direta do procurador-geral, dependente do executivo.A legislação em causa foi promulgada no mesmo dia por Zelensky.A
decisão de Zelensky desencadeou no próprio dia protestos em várias
cidades ucranianas, os maiores desde o início da invasão russa em
fevereiro de 2022.No dia seguinte à promulgação, a Comissão Europeia exigiu explicações a Zelensky.A
reforma democrática e a independência das instituições anticorrupção,
assim como o seu reforço, estão incluídos no processo de adesão da
Ucrânia à UE.Sem a "luz verde" da Comissão Europeia neste parâmetro, o processo pode ficar estagnado.Na
terça-feira, a comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos,
considerou que a promulgação da nova legislação relativa às agências
anticorrupção era um "grave retrocesso" no processo de adesão ao bloco
político-económico europeu.Os dois
departamentos abrangidos pela nova legislação foram envolvidos numa
alegada fuga de documentos secretos para os serviços de segurança
russos, ação atribuída a um ex-deputado, Fedor Khristenko, que já foi
acusado de alta traição.Zelensky justificou a promulgação da polémica lei com a "ingerência russa" e a ausência de resultados em certos processos.Kiev
apresentou formalmente o pedido de adesão à UE em 28 de fevereiro de
2022, poucos dias depois do início da invasão russa. Tem estatuto de
país candidato desde 23 de junho desse mesmo ano. Em meados de dezembro
de 2023, o Conselho Europeu decidiu abrir as negociações formais de
adesão à UE com a Ucrânia.