UE pretende continuar conversações com talibãs após reunião no Qatar
Afeganistão
29 de nov. de 2021, 18:14
— Lusa/AO Online
"A ideia é continuarmos as
conversações (…) para sermos capazes de garantir que podemos oferecer o
máximo de acesso de ajuda humanitária ao Afeganistão", disse a
porta-voz do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE), Nabila
Massrali, numa conferência de imprensa.A
porta-voz também acrescentou que a UE voltará a estar presente no
Afeganistão com um escritório em Cabul "quando as medidas de segurança
forem apropriadas".Esta afirmação difere
da versão prestada, após a reunião no domingo, pelo principal porta-voz
dos talibãs, Zabiullah Mujahid, que assegurou que a delegação europeia
"prometeu a continuação da presença de um gabinete humanitário da UE em
Cabul para prestar assistência humanitária".Através
de um comunicado, a UE também deu a conhecer a sua versão do encontro
de domingo, tendo assegurado que nem a possibilidade de reabertura de um
escritório em Cabul nem a reunião deste fim de semana representam um
reconhecimento do bloco comunitário do Governo talibã, no poder desde
agosto passado e que não inclui mulheres ou elementos de minorias,
contrariando os apelos de Bruxelas.O SEAE
recordou que a ajuda ao desenvolvimento da UE ao Afeganistão ainda se
encontra suspensa, mas manifestou a sua "vontade de considerar a
possibilidade de prestar uma assistência financeira substancial em
benefício direto do povo afegão", canalizada "exclusivamente" através de
organizações internacionais e organizações não-governamentais (ONG).Segundo a UE, os talibãs garantiram a passagem segura para estrangeiros e afegãos que queiram deixar o país.Garantir
a saída dos europeus e estudar como aliviar a crise humanitária que os
afegãos vivem são dois dos principais objetivos dos países da UE desde
que as tropas dos Estados Unidos deixaram o Afeganistão em 31 de agosto,
após vinte anos de presença.A crise
humanitária afegã começou a atingir níveis sem precedentes depois da
chegada dos talibãs ao poder, em 15 de agosto, em resultado das sanções
económicas internacionais e dos Estados Unidos para impedir o acesso dos
líderes islamitas, alguns dos quais considerados ameaças globais, ao
sistema financeiro internacional.A banca e
os serviços financeiros internacionais congelaram de imediato as
reservas e os fundos destinados a manter em funcionamento o sistema
sanitário e a distribuição de ajuda humanitária ao Afeganistão,
devastado por décadas de conflito.