UE prepara sistema de mensagens via satélite para funcionar mesmo em apagão total
Hoje 12:38
— Lusa/AO Online
Num debate no Parlamento
Europeu (PE) sobre fenómenos meteorológicos extremos, em particular em
Portugal, sul de Itália, Malta e Grécia, a comissária europeia para a
Preparação e a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, adiantou que, “através do
sistema de satélites Galileu, vai ser possível dentro em breve enviar
mensagens a todos os cidadãos da UE em caso de emergência, mesmo que
haja um apagão total”.A comissária
reconheceu que as políticas atuais já não estão à altura das
catástrofes: “Precisamos de prevenção, reparação e recuperação, mais
instrumentos e mais bem adaptados” e, nesse sentido, Bruxelas irá
apresentar em breve uma estratégia integrada para o clima e uma
comunicação sobre combate a incêndios florestais.No
debate, o executivo comunitário estabeleceu que a UE “não está
suficientemente preparada para os impactos” das catástrofes naturais,
que colocam “desafios crescentes”, defendendo ser “preciso pensar para
além da resposta imediata, nas consequências a longo prazo”.Neste
sentido, a comissária adiantou que, perante o risco de incêndios
florestais no próximo verão, o executivo comunitário está preparar uma
“comunicação sobre o combate aos incêndios e gestão de risco”.“Infelizmente,
sabemos que estes eventos trágicos em Espanha, Portugal, Malta e Grécia
não serão os últimos desta magnitude”, referiu também, Lahbib,
destacando que Bruxelas “está a preparar também uma estratégia integrada
para a resiliência climática com medidas para as pessoas e as empresas,
que traz mais clareza e informação sobre os riscos próprios de cada
Estado-membro”.A comissária destacou que a
UE está pronta para ajudar os Estados-membros recentemente afetadas por
tempestades, referindo ainda que a luta contra as alterações climáticas
pode ser reforçada com fundos de Coesão, da política agrícola, fundo
social europeu, do programa Eramus+ nomeadamente na qualificação das
forças de intervenção no sentido da recuperação.“A
UE tem de melhorar a preparação, combinar as forças nacionais com a
coordenação europeia para melhor responder às necessidades perante
fenómenos meteorológicos extremos”, defendeu a comissária.No
debate, intervieram eurodeputados portugueses, tendo Lídia Pereira
(PSD) destacado que “os eventos extremos deixaram de ser exceção” e
avisando que, “se os tempos mudaram, a ação política também tem de
mudar”.João Cotrim Figueiredo (IL) sugeriu
a criação de um plano europeu de adaptação a catástrofes naturais e o
fortalecimento do mecanismo de solidariedade europeu.O
eurodeputado João Oliveira (PCP) manifestou “incompreensão face à
ausência de pedido de auxílio” pelo Governo de Lisboa ao Mecanismo
Europeu de Proteção Civil e pediu “medidas de fundo” e mecanismos de
apoio financeiro para além do Programa de Recuperação e Resiliência.Já
Marta Temido (PS) lembrou que a bacia do Mediterrâneo e a Península
Ibérica se tornaram a “zona zero da crise climática da Europa: vivemos
entre incêndios devastadores e inundações catastróficas” e considerou
que a coordenação nacional é essencial, “qualquer que seja o mecanismo
europeu que está por detrás”.O
eurodeputado Tiago Moreira de Sá (Chega) sublinhou que, em situações de
emergência, “os apoios europeus têm de ser mais rápidos, eficazes e
menos burocráticos”, referindo também que "quando as populações precisam
de ajuda imediata, a reposta não pode ficar refém de burocracias,
procedimentos lentos ou calendários administrativos”.Catarina
Martins (BE) apontou o dedo a “uma maioria de irresponsáveis” no PE que
“recua em todos os compromissos climáticos”, apelando a que a UE
“esteja à altura do enorme movimento de solidariedade”, nomeadamente em
Portugal.