UE não recebeu pedido para comercialização da vacina Sputnik V
Covid-19
17 de fev. de 2021, 16:04
— Lusa/AO Online
Questionada
sobre esta vacina desenvolvida pela Rússia, durante uma conferência de
imprensa em Bruxelas, Ursula von der Leyen observou que lê
frequentemente artigos sobre o que aconteceria “se” desse entrada um
pedido para comercialização da mesma no espaço comunitário, mas
asseverou que “não é esse o caso”.“Pode
mudar, mas até agora, ao momento em que falamos, eles não se
candidataram a uma autorização condicional de mercado”, sublinhou.A
presidente do executivo comunitário acrescentou de imediato que, “se o
fizerem, então terão de apresentar todo o conjunto de dados e
sujeitar-se a todo o processo de escrutínio, como qualquer vacina”,
havendo ainda outra questão a acutelar, a da verificação do processo de
produção. “Uma vez que não estão a
produzir [esta vacina] na Europa, obviamente seria necessário um
processo de inspeções nos locais de produção. Porque, como agora bem
sabemos, uma questão crucial é ter um processo de produção estável e de
alta qualidade”, declarou.Von der Leyen
deixou ainda uma interrogação no ar: “porque é que a Rússia está, em
teoria, a oferecer milhões e milhões de doses [da Sputnik V], mas não
está a fazer progressos suficientes na vacinação da sua população?”.Há
precisamente uma semana, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na
sigla em inglês) já indicara não ter recebido qualquer pedido para
monitorização ou autorização da vacina russa contra a covid-19, a
Sputnik V, tendo apenas dado “aconselhamento científico” ao fármaco.“A
EMA não recebeu até à data qualquer pedido de revisão contínua ou de
autorização de comercialização da vacina desenvolvida pelo Centro
Nacional de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya na Rússia, a vacina
Sputnik V, apesar de algumas notícias afirmarem o contrário”, esclareceu
o regulador europeu em comunicado.A
agência sublinhou que “os criadores receberam aconselhamento científico
da EMA, fornecendo-lhes as últimas orientações regulamentares e
científicas para o desenvolvimento da sua vacina”.E
por essa razão, “a vacina está incluída na lista de medicamentos e
vacinas contra a covid-19 que receberam aconselhamento científico da
agência”, não como tendo sido aprovado, explica a EMA.Países como a Hungria ou a República Checa já se mostrarem disponíveis para usar a Sputnik V, com uma eficácia superior a 90%.