"UE não é organização militar e deu a resposta que pode dar"
Ucrânia
25 de fev. de 2022, 11:50
— Lusa/AO Online
Em declarações
após uma cimeira extraordinária dos chefes de Estado e de Governo da UE
celebrada em Bruxelas para discutir a resposta europeia à invasão da
Ucrânia pela Rússia, António Costa apontou que “a NATO dará seguramente
[hoje] a resposta no sentido da dissuasão e de garantir a defesa de
todos os países da NATO, e em especial aqueles que têm fronteira com a
Ucrânia ou estão na proximidade da fronteira com a Ucrânia”.“A
UE não é uma organização militar e, portanto, o que aprovámos hoje foi o
endossar de uma proposta que a Comissão Europeia apresentou”, de um
segundo pacote de sanções, a ser adotado pelos ministros dos Negócios
Estrangeiros numa reunião hoje em Bruxelas, disse. O
pacote, assinalou Costa, contém sanções duras “que visam atingir em
particular o setor financeiro, o setor da energia, o setor dos
transportes, limitar a capacidade de financiamento internacional das
empresas estatais russas e do Estado russo, e também limitar a concessão
de vistos a titulares de passaportes diplomáticos ou de serviço”.Questionado
sobre se a Ucrânia não está a ser deixada sozinha perante a agressão
russa, Costa sublinhou que “a resposta que o Conselho deu foi apoio
financeiro, apoio humanitário, apoio à Ucrânia”, além de “um conjunto de
medidas muito duras relativamente à Rússia e a um conjunto de
personalidades russas e também da Bielorrússia”, sendo que,
“simultaneamente, na NATO, vão ser adotadas medidas tendo em vista uma
ação dissuasora”.“Portanto, a
solidariedade que a UE pode expressar traduziu-se na medida em que a UE
pode agir. Como é sabido, a UE não é uma organização de natureza
militar, portanto não pode naturalmente dar apoio militar à Ucrânia”,
reiterou. Já a NATO, lembrou, “é uma
Aliança defensiva”, que tem “o dever de solidariedade para com todos os
países membros da Aliança – a Ucrânia não é um país membro da Aliança - ,
e a NATO não pode naturalmente agir fora do seu próprio território e
sem ser em defesa dos seus membros”, mas vários Estados-membros da UE
“têm estado a dar apoio bilateralmente à Ucrânia, inclusive de natureza
militar, com a cedência de material letal e não letal”.Observando
que “a Rússia passou da violação do direito internacional a uma ação de
guerra contra um país livre e democrático, e, portanto, trata-se de uma
guerra contra a liberdade de autodeterminação de um país democrático”,
António Costa abordou a intervenção do presidente ucraniano na cimeira.“O
Conselho teve a oportunidade de dialogar por videoconferência com o
presidente Volodymyr Zelensky, o que foi um momento particularmente
dramático, mas também emocionante”, disse. Segundo
António Costa, Zelensky relatou o que está a acontecer no território,
“desmentindo claramente a versão de que se trata de uma missão militar
focada nas regiões separatistas”. Pelo contrário, assiste-se a “um
conjunto de ações em larga escala cobrindo todo o território da Ucrânia,
designadamente a sua capital Kiev”, disse.António
Costa sublinhou ainda que, “obviamente, se a Rússia prosseguir” a sua
agressão, a UE “considerará medidas suplementares”, tendo já mandatado a
Comissão para estudar um terceiro pacote de sanções.Os
chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE) chegaram esta
madrugada a acordo sobre “sanções em massa” que serão “dolorosas para o
regime russo”, anunciou hoje o presidente do Conselho Europeu.“Tomámos
a decisão política de acrescentar um pacote adicional de sanções em
massa, que será doloroso para o regime russo”, anunciou Charles Michel.A
decisão foi tomada numa cimeira de urgência em Bruxelas dos chefes de
Governo e de Estado da UE, entre os quais o primeiro-ministro português,
António Costa, ocasião na qual os líderes europeus tiveram
“oportunidade de reafirmar a firmeza de posição, esta mão em conjunto
com os nossos aliados e amigos”, dada a invasão russa a várias cidades
ucranianas.“O Conselho Europeu apelou aos
órgãos apropriados para que tomassem as medidas legais para as sanções”,
adiantou Charles Michel, falando em conferência de imprensa no final do
encontro.