UE mais preparada face à chantagem energética de Putin
Crise/Energia
26 de jul. de 2022, 16:09
— Lusa/AO Online
“A
UE deu um passo decisivo para enfrentar a ameaça de uma rutura total do
gás por Putin. Congratulo-me vivamente com a aprovação, pelo Conselho,
do regulamento relativo a medidas coordenadas de redução do consumo de
gás”, declarou a presidente do executivo comunitário, pouco após o
anúncio do acordo político alcançado hoje em Bruxelas no Conselho
extraordinário de ministros da Energia.Numa
declaração em Bruxelas, a presidente do executivo comunitário comentou
que “o acordo político alcançado pelo Conselho em tempo recorde, com
base na proposta da Comissão 'Poupar gás para um Inverno seguro'
apresentada na semana passada, garantirá uma redução ordenada e
coordenada do consumo de gás em toda a UE para preparar o próximo
Inverno”.Sublinhando que esta medida
“complementa todas as outras ações tomadas até à data no contexto do
plano 'RepowerEU', nomeadamente para diversificar as fontes de
abastecimento de gás, acelerar o desenvolvimento das energias renováveis
e tornar-se mais eficiente em termos energéticos”, Von der Leyen
reforçou que “o compromisso coletivo de reduzir [o consumo de gás] em
15% é muito significativo” e ajudará a garantir o armazenamento antes do
inverno.“Além disso, a possibilidade de
declarar um estado de alerta da UE, desencadeando reduções obrigatórias
do consumo de gás em todos os Estados-membros constitui um forte sinal
de que a UE fará tudo o que for necessário para garantir a sua segurança
de aprovisionamento e proteger os seus consumidores, sejam eles
domésticos ou industriais”, destacou.Segundo
Von der Leyen, “ao agir em conjunto para reduzir a procura de gás,
tendo em conta todas as especificidades nacionais relevantes, a UE
assegurou as bases fortes para a indispensável solidariedade entre os
Estados-Membros face à chantagem energética do Putin”.“O
anúncio feito pela Gazprom de que está a reduzir ainda mais os
fornecimentos de gás à Europa através do Nord Stream 1, por nenhuma
razão técnica justificável, ilustra ainda mais a natureza pouco fiável
da Rússia como fornecedor de energia. Graças à decisão de hoje, estamos
agora prontos para abordar a nossa segurança energética à escala
europeia, como uma União”, concluiu.Os
ministros da Energia da UE chegaram hoje a acordo político sobre a meta
para reduzir 15% do consumo de gás até à primavera, pelo receio de
rutura no fornecimento russo, num “consenso esmagador” após novas
exceções.Em comunicado, a presidência
checa do Conselho da UE dá conta de que, “num esforço para aumentar a
segurança do aprovisionamento energético da UE, os Estados-membros
chegaram hoje a um acordo político sobre uma redução voluntária da
procura de gás natural em 15% este inverno”, estando também prevista a
“possibilidade de desencadear um ‘alerta da União’ sobre a segurança do
aprovisionamento, caso em que a redução da procura de gás se tornaria
obrigatória”.De acordo com o Conselho da
iniciativa fazem agora parte “algumas isenções e possibilidades de
solicitar uma derrogação ao objetivo obrigatório de redução, a fim de
refletir as situações particulares dos Estados-membros e assegurar que
as reduções de gás sejam eficazes para aumentar a segurança do
aprovisionamento na UE”.À entrada para a
reunião, hoje de manhã, o ministro português do Ambiente adiantara que a
mais recente proposta sobre a mesa já respondia a algumas das
principais questões levantadas por Portugal, designadamente a nível de
interligações e de segurança no setor elétrico, e que foram devidamente
sinalizadas pelo Governo.O ministro Duarte Cordeiro irá ainda comentar o acordo alcançado, no final da reunião.O
presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também já se
congratulou com o acordo de hoje, escrevendo na sua conta oficial na
rede social Twitter que se trata de um compromisso importante, já que “a
Rússia está a utilizar o gás como uma arma”, em paralelo com a sua
agressão militar à Ucrânia.