UE designa Guarda Revolucionária como organização terrorista

Irão

Hoje 16:23 — Lusa/AO Online

Esta decisão, que requeria a aprovação por unanimidade, foi tomada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, numa reunião em Bruxelas, anunciou nas redes sociais a chefe da diplomacia dos 27, Kaja Kallas. “A repressão não pode ficar sem resposta. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE acabaram de dar o passo decisivo de designar a Guarda Revolucionária do Irão como organização terrorista”, de acordo com uma mensagem.Kallas defendeu que “qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo está a trabalhar para a própria queda”.A Guarda Revolucionária do Irão, exército ideológico da República Islâmica, junta-se assim a grupos como o movimento palestiniano Hamas, a rede terrorista Al-Qaida e o grupo extremista Estado Islâmico, já na lista de organizações terroristas da UE. Esta lista foi criada em 2001, após os atentados do 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.Todas as entidades e pessoas nesta lista veem os seus bens e ativos financeiros em solo europeu congelados e toda a cooperação policial e judiciária em matéria penal proibida.Em declarações aos jornalistas antes de ser anunciada esta decisão, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, reiterou que Portugal apoia esta designação, além de defender também a imposição de novas sanções a 15 pessoas e seis entidades iranianas, igualmente acordadas pelos chefes das diplomacias da UE.“Nós estamos a falar de dezenas de milhares de mortos [no Irão]. Estamos a falar de praticamente crimes contra a humanidade. [A nossa discussão] foi muito à base dessa questão: da situação atual e das posições que nós podemos tomar no plano das sanções internacionais para pressionar as autoridades iranianas a parar com esta matança sistemática”, referiu.A designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista tinha sido inicialmente defendida por países como a Alemanha e os Países Baixos, apesar de alguns Estados-membros terem mostrado reservas por temerem o impacto nas relações diplomáticas com o Irão.No entanto, nos últimos dias, os países mais reticentes mudaram de posição. Esta manhã, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, disse que o país tinha optado por apoiar esta designação por considerar que “não pode haver nenhuma impunidade para os crimes cometidos”.O Irão tinha já advertido para “consequências destrutivas” caso a UE decidisse avançar com esta classificação.