UE cria centro para combater "ameaças provenientes da desinformação"
7 de fev. de 2023, 09:52
— Lusa/AO Online
“Os regimes
autoritários tentam criar desinformação e manipulá-la. Criámos
instrumentos para detetar e revelar esta manipulação […], mas não é
suficiente e precisamos de ir mais longe”, disse Josep Borrell, no
início da conferência “Além da Desinformação: Respostas da UE para a
Ameaça Estrangeira da Manipulação da Informação”, em Bruxelas (Bélgica).Desde
o início da guerra na Ucrânia que o Kremlin “abandonou por completo os
factos” e “mobilizou todos os instrumentos para propagar a
desinformação” e fazer uma “distorção sistemática da realidade para
desviar as atenções da sua invasão”, acusou.“Por
isso, quero anunciar que vamos criar um centro de recolha de
informação, de recolha de ameaças provenientes da desinformação e
manipulação da informação”, anunciou o chefe da diplomacia europeia.Josep
Borrell referiu que o centro, que ainda não tem uma data prevista para
iniciar funções, vai ter o propósito de agregar “as causas, os
incidentes e ameaças, e partilhar conhecimento e experiências” entre os
Estados-membros da União Europeia e não só: “Não é apenas na UE, é
também em África, na América Latina e na Ásia.”Borrell
deixou de parte dos Estados Unidos, um país onde nas duas últimas
eleições presidenciais a desinformação para condicionar os eleitores foi
uma das principais ameaças.As delegações
da UE em vários pontos do planeta vão ter “especialistas em
desinformação” para ajudar os equipas no terreno e os governos locais a
combater este flagelo, acrescentou.Voltando-se
para a invasão russa na Ucrânia, o alto-representante da UE para os
Negócios Estrangeiros acrescentou que o Kremlin criou uma narrativa de
que “as Forças Armadas da Ucrânia são apenas unidades paramilitares
neonazis a cometer crimes contra a população, incluindo crianças”, e que
está a tentar fazer valer esta ideia “sob o mote 'parem de matar no
Donbass'”. Isto não é novo, completou
Borrell, “[Joseph] Goebbels já o tinha inventado” durante a II Guerra
Mundial e na opinião de Borrell é isso que Moscovo está a fazer: “Quando
alguém está em guerra também tem de esconder à sua população quais são
as baixas. Qualquer pessoa a tentar dizer a verdade é imediatamente
considerada um ameaça estrangeira.”Combater a estratégia de desinformação da Rússia faz parte do objetivo de “apoiar a Ucrânia por todos os lados”.Borrell
anunciou também que conversou com os responsáveis pelo Twitter,
inclusive Elon Musk, para aprofundar a “partilha de dados” entre
Bruxelas e aquela rede social e pedir “mais transparência e
responsabilização” pelas consequências que a propagação de falsas
informações pode ter na vida das pessoas.“A propaganda é uma arma da Rússia”, exortou.