UE convida China a dialogar sobre comércio, mas avisa que protegerá os seus interesses
Tarifas
24 de jul. de 2025, 16:12
— Lusa/AO Online
“A UE e a China
são parceiros comerciais importantes, mas o atual desequilíbrio é
grave, com um défice comercial que atinge os 305 mil milhões de euros”,
afirmou a Comissão Europeia, em comunicado divulgado após as reuniões da
presidente, Ursula von der Leyen, com o Presidente chinês, Xi Jinping, e
o primeiro-ministro, Li Qiang.Bruxelas
manifestou preocupação com “distorções sistémicas persistentes” e o
“excesso de capacidade industrial” da China, que considera agravar as
desigualdades no acesso ao mercado.O bloco
europeu voltou a exigir progressos em questões comerciais de longa
data, recordando que os investimentos chineses na Europa podem
beneficiar a competitividade, o progresso tecnológico e a criação de
emprego de qualidade, desde que exista reciprocidade.“A
UE continua disposta a participar num diálogo construtivo para
encontrar soluções negociadas. Mas, enquanto tal não acontecer, adotará
medidas proporcionais e em conformidade com o direito internacional para
proteger os seus legítimos interesses”, advertiu a Comissão.Bruxelas
pediu ainda que a China tome medidas concretas para melhorar o acesso
das empresas europeias ao mercado chinês em setores prioritários como a
carne, cosméticos e produtos farmacêuticos.O
executivo comunitário exigiu também o fim das “represálias” contra
exportações europeias de conhaque, carne de porco e produtos lácteos,
bem como o levantamento de restrições à exportação de terras raras, que
considera ter um “impacto negativo” nos setores industriais europeus.A
nota oficial sublinha igualmente a necessidade de promover a
reciprocidade na área digital, referindo que as empresas europeias
enfrentam obstáculos significativos para operar na China.A
UE expressou ainda preocupações quanto à falta de clareza nas normas
chinesas sobre segurança de dados e fluxos transfronteiriços, além de
denunciar “atividades cibernéticas maliciosas” com origem na China.Von
der Leyen, acompanhada em Pequim pelo presidente do Conselho Europeu,
António Costa, afirmou perante Xi Jinping que os desequilíbrios na
relação bilateral estão a crescer, à medida que “a cooperação entre
ambos se aprofunda”.Xi limitou-se a
sublinhar que os laços entre China e UE devem “trazer mais estabilidade e
certeza para o mundo” e apelou ao “respeito mútuo” e à busca de “pontos
em comum, respeitando as diferenças”.