UE considerará “nulos” resultados de referendos pró-russos
Ucrânia
21 de set. de 2022, 08:48
— Lusa/AO Online
“Estes planeados
'referendos' ilegais que vão contra as autoridades eleitas democrática e
legalmente violam a independência, a soberania, a integridade
territorial da Ucrânia e violam flagrantemente o direito internacional”,
declarou o Alto Representante da UE para as Relações Externas e
Políticas”, Josep Borrell, num comunicado.“A
Rússia, a respetiva liderança política e todos os envolvidos nos
'referendos' e outras violações do direito internacional na Ucrânia
serão responsabilizados e consideradas novas medidas [sanções]”,
acrescentou.Para Borrell, há a tentativa
da Rússia em legitimar o controlo militar ilegal e o objetivo é avançar
com as forças para as fronteiras, “numa clara violação da Carta da ONU e
da independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia".Em
nome dos 27, Borrell assim reagiu após ter tido conhecimento de que os
ucranianos pró-Rússia convocaram hoje referendos sobre a integração na
Rússia para neutralizar a contraofensiva ucraniana, o que questionou o
sucesso da campanha militar russa.“Desde o
início da invasão, a Rússia intimidou, deteve ilegalmente, torturou e
sequestrou cidadãos ucranianos e uma parte significativa da população
original das áreas invadidas foi forçada a fugir”, lamentou o chefe da
diplomacia europeia.Nalguns casos, continuou, “os funcionários locais legalmente eleitos foram substituídos à força”. “O
acesso à Internet, aos meios de comunicação social independentes e à
liberdade de expressão também foram severamente restringidos. Os 'votos'
ilegais não podem ser considerados em nenhuma circunstância como a
livre expressão da vontade das pessoas que vivem nessas regiões sob
constante ameaça e intimidação militar russa”, acrescentou.Os
ucranianos pró-russos, com o apoio de Moscovo, convocaram referendos
nas regiões ocupadas sobre a anexação das autoproclamadas repúblicas de
Donetsk e Lugansk, e das administrações de Kherson e Zaporijia,
plebiscitos já rejeitados e condenados pelos Estados Unidos, França e
Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), todos a considerarem
que este recurso é um “sinal de fraqueza” de Moscovo.Para
Washington, a convocação dos dois referendos separados é um “sinal da
fraqueza russa” na Ucrânia e a NATO disse que podem constituir uma “nova
escalada da guerra” para esconder debilidades das forças militares
russas.“A Rússia está a realizar
referendos falsos com três dias de antecedência, porque continua a
perder terreno no campo de batalha. São uma afronta aos princípios de
soberania e integridade territorial. [...] Sabemos que serão manipulados
e que a Rússia os usará como base para anexar esses territórios, agora
ou no futuro”, disse o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca,
Jake Sullivan.Para o secretário-geral da
NATO, Jens Stoltenberg, os “simulacros de referendo” organizados pelas
autoridades instaladas por Moscovo em quatro regiões da Ucrânia são “uma
nova escalada da guerra de Putin”.“Esses
referendos falsos não têm legitimidade e não mudam a natureza da guerra
de agressão da Rússia contra a Ucrânia", escreveu Stoltenberg na conta
pessoal da rede social Twitter, defendendo que “a comunidade
internacional deve condenar esta flagrante violação do direito
internacional”.Já o Presidente francês,
Emmanuel Macron, reiterou que nenhuma das votações obterá reconhecimento
da comunidade internacional e que, como tal, “não terá nenhuma
consequência no plano jurídico.“Os
referendos são uma provocação suplementar. […] Constituem a demonstração
de cinismo por parte da Rússia. Se não fosse trágico, até daria para
nos rirmos”, disse Macron..Os territórios
separatistas pró-russos da região de Donbass, na Ucrânia, vão realizar
de 23 a 27 de setembro referendos para decidirem sobre a sua anexação
pela Rússia, anunciaram hoje as autoridades locais.