UE condena destruição de infraestruturas europeias com suspeita 'mão' russa
26 de dez. de 2024, 18:02
— Lusa/AO Online
Em comunicado
conjunto, a Comissão Europeia e a alta-representante para os Negócios
Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, condenaram
"veementemente a destruição deliberada de infraestruturas da UE".Há
a suspeita de que a destruição dos cabos submarinos tenha sido
provocada por um navio russo, alegadamente pertencente à "frota
fantasma", recentemente alvo de sanções pelos 27 países da UE.A
UE considerou este incidente o mais recente numa "série que se suspeita
serem ataques às infraestruturas críticas" do bloco comunitário.Bruxelas
diz estar a apoiar as investigações ao incidente no Mar Báltico e
prometeu reforçar os mecanismos de deteção e de comunicação para
proteger estas infraestruturas subaquáticas.A UE assegurou ainda que, "de momento, não há qualquer risco no abastecimento de eletricidade" na região.A
polícia finlandesa declarou hoje suspeitar que o petroleiro Eagle S,
proveniente da Rússia e suspeito de integrar "a frota fantasma" russa,
esteja envolvido na avaria do cabo elétrico submarino entre a Finlândia e
a Estónia."Vamos apresentar medidas
adicionais, incluindo sanções, contra este navio", acrescentou a chefe
da diplomacia da União Europeia, ex-primeira-ministra da Estónia. O
Presidente finlandês, Alexander Stubb, defendeu na rede social X
(antigo Twitter) a necessidade de “eliminar” os “riscos causados” pelos
navios da chamada “frota-fantasma” russa.“Acompanhámos
a situação de perto desde ontem [quarta-feira]” com o primeiro-ministro
finlandês, Petteri Orpo, acrescentou o chefe de Estado.Também o Governo da Estónia anunciou a realização ainda hoje de uma reunião extraordinária.De
acordo com a primeira-ministra do país, Kristen Michal, e “apesar das
férias”, muitos estão a trabalhar para identificar e avaliar os
contornos do incidente.No dia de Natal, a
ligação de corrente contínua EstLink 2 entre a Finlândia e a Estónia foi
desligada da rede, anunciou na ocasião o operador finlandês Fingrid,
que não afastou a possibilidade de sabotagem e que garantiu na altura
que o fornecimento de eletricidade não foi afetado.O
mesmo cabo esteve parado durante grande parte deste ano para reparar os
danos provocados por um curto-circuito que pode ter sido causado pelo
seu complexo posicionamento.Sami Rakshit,
diretor-geral das alfândegas finlandesas, afirmou em conferência de
imprensa que o navio, com pavilhão das Ilhas Cook, transportava
“gasolina sem chumbo carregada num porto russo".A
polícia abriu um inquérito por “sabotagem agravada”, acrescentou Robin
Lardot, do Serviço Nacional de Investigação, sobre o incidente que
ocorre pouco mais de um mês após a rutura de dois cabos de
telecomunicações em águas territoriais suecas no Mar Báltico.Ainda na mesma conferência de imprensa, Robin Lardot informou que a polícia finlandesa já tinha abordado o petroleiro Eagle S.“Já abordámos o navio, falámos com a tripulação e recolhemos provas”, declarou Lardot.O
navio encontra-se atualmente ao largo da costa de Porkkala, a cerca de
30 quilómetros de Helsínquia, após a intervenção de um barco-patrulha
finlandês.Segundo o Ocidente, a chamada
“frota-fantasma” russa é constituída por navios que transportam petróleo
russo e contornam as sanções impostas a Moscovo na sequência da guerra
contra a Ucrânia.Nos incidentes ocorridos
no mês passado no Mar Báltico, as suspeitas recaíram sobre um navio de
pavilhão chinês, o Yi Peng 3, que se encontrava na zona na altura da
rutura dos dois cabos de telecomunicações.Antes,
os gasodutos Nord Stream, que outrora transportavam gás natural da
Rússia para a Alemanha, foram danificados por explosões submarinas em
setembro de 2022. As autoridades consideraram que se tratou de sabotagem e abriram um inquérito criminal.