Ucrânia quer cooperar com os Açores e aponta para tecnologia de drones
Hoje 09:39
— Daniela Arruda
Maryna Mykhailenko, embaixadora da Ucrânia na República Portuguesa,
contou, numa entrevista ao jornal Açoriano Oriental, que existe “um enorme
espaço de cooperação” entre os Açores e três regiões ucranianas.
Destacou também algumas áreas estratégicas, como a tecnologia de drones,
a digitalização e a inovação tecnológica. Durante uma visita
oficial à Região, a diplomata explicou que o objetivo é aprofundar a
cooperação inter-regional entre Portugal e a Ucrânia, numa altura em que
Kiev quer reforçar relações institucionais e económicas com outros
países europeus.“Os Açores são uma das regiões autónomas de
Portugal, é muito importante, achamos que existe um espaço enorme para a
cooperação”, afirmou, acrescentando que já foi feita uma proposta ao
Governo dos Açores para que se crie contactos diretos entre a Região e
três regiões ucranianas com grande atividade portuária. A tecnologia
de drones é uma das áreas prioritárias, sendo que é um setor onde a
Ucrânia tem vindo a adquirir cada vez mais experiência nos últimos anos,
segundo Maryna Mykhailenko.“Temos experiência em tecnologia de
drones, tecnologia de informação e digitalização. A Ucrânia não quer
apenas pedir ajuda, tem também algo para oferecer”, sublinhou a
embaixadora. A vinda ao Açores é resultado também de um projeto de
intercâmbio juvenil realizado no ano passado, em Liviv, na Ucrânia, em
parceria com representantes da Comissão Europeia.Nesta iniciativa
participaram 20 jovens ucranianos e 20 portugueses. Destes, dois jovens
eram açorianos. Maryna Mykhailenko contou que um dos jovens da Região
acabou por convidar a delegação ucraniana a visitar os Açores e a
participar numa conferência universitária: “Pensamos que também existe
potencial de cooperação entre universidades”, afirmou.Durante
a entrevista ao jornal Açoriano Oriental, Maryna Mykhailenko elogiou o
apoio que Portugal tem prestado desde o início da guerra, e considera
que tem sido “um dos países que mais apoia a Ucrânia”.Explicou que
Portugal acolhe agora cerca de 90 mil cidadãos ucranianos. Este número
inclui a comunidade que já residia antes da guerra, bem como os
refugiados recebidos a partir de 2022: “Temos cerca de 30 mil ucranianos
da antiga diáspora e chegaram mais 60 mil depois do início da guerra”,
afirmou a diplomata.Maryna Mykhailenko mencionou ainda o apoio
financeiro, militar e, sobretudo, humanitário português. Além disso,
sublinhou o o apoio político português no que diz respeito ao processo
de adesão à União Europeia.Quanto à comunidade ucraniana que reside
hoje nos Açores, a embaixadora adiantou que o objetivo é aproveitar esta
visita também para reunir com os representantes locais para avaliar as
necessidades e dificuldades que existem a nível de integração. Ainda
assim, disse que, de uma forma geral, os cidadãos ucranianos “foram
muito bem recebidos pelos portugueses” e que muitos já se encontram
integrados no mercado de trabalho além de “os nossos jovens já
frequentarem também as vossas escolas, não vemos grandes problemas”. A
diplomata estima que cerca de 150 cidadãos ucranianos vivam, neste
momento, na ilha de São Miguel.Sobre o regresso dos refugiados à
Ucrânia após o fim da guerra, Maryna Mykhailenko admitiu que essa é a
grande vontade do Governo da Ucrânia: “O principal ativo de qualquer
país são as pessoas. Esperamos, sinceramente, que muitos regressem assim
que a situação de segurança o permitir”, concluiu.