Ucrânia: Moradores retirados de Oleshky, sob controlo russo, chegaram a território ucraniano
Hoje 13:32
— Lusa
Com bandeiras ucranianas sobre os ombros, os moradores desta cidade ocupada pela Rússia chegaram a território controlado pela Ucrânia e foram recebidos por familiares num local mantido em sigilo por motivos de segurança.A evacuação da cidade de Oleshky implicou viajarem de autocarro e de avião passando pela Rússia e pela Bielorrússia, na sequência de um acordo intermediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, para um cessar-fogo localizado, depois de mais de quatro anos desde o início da invasão russa na Ucrânia.As autoridades ucranianas impuseram restrições à divulgação do número de pessoas retiradas e do local da passagem da fronteira. Segundo os organizadores, as medidas visam proteger aqueles que optaram por permanecer em Oleshky, bem como salvaguardar futuras missões humanitárias.O cessar-fogo na região de Kherson, no sul da Ucrânia, que teve início na madrugada de terça-feira, deverá prolongar-se até domingo à noite.Aos cerca de 2.000 residentes que ainda permaneciam em Oleshky, na região de Kherson, foi dada a opção de seguir para território controlado pela Ucrânia ou pela Rússia, ou de permanecer na cidade, que recebeu um novo fornecimento de alimentos e artigos médicos.Os que optaram por regressar à Ucrânia foram levados para a cidade russa de Anapa e, daí, seguiram de avião para Homel, na Bielorrússia, de onde partiram em direção ao seu destino final.No sábado, familiares aguardavam na fronteira entre a Ucrânia e a Bielorrússia, onde foram montadas tendas de assistência, pontos de distribuição de café e até mantimentos para alimentar os animais de estimação que as pessoas retiradas traziam consigo.Voluntários de várias organizações — incluindo a Cruz Vermelha, os Médicos Sem Fronteiras e a World Central Kitchen — também estiveram presentes.Liza Paliy, de 19 anos, estava entre as pessoas que aguardavam. Não via o pai há mais de dois anos e meio, desde que ela, a mãe e a irmã fugiram do território ocupado, enquanto ele permaneceu no local.“Nessa altura, pensávamos que demoraria um mês, no máximo dois, e que voltaríamos; mas, infelizmente, já passaram dois anos”, disse a jovem ucraniana.A Rússia e a Ucrânia não especificaram quantas pessoas decidiram abandonar a cidade, mas a primeira-dama norte-americana publicou nas redes sociais, na sexta-feira, que o comboio humanitário conseguiu retirar, em segurança, mais de 750 pessoas.