Ucrânia acusa Geórgia de suspender candidatura à UE para "agradar a Moscovo"
29 de nov. de 2024, 13:00
— Lusa/AO Online
“A
Ucrânia está desiludida com a decisão do governo da Geórgia de
suspender as negociações de adesão à UE até 2028. Esta decisão, bem como
o uso da força contra uma manifestação pacífica, demonstra a limitação
dos processos democráticos no país para agradar a Moscovo”, segundo a
mesma fonte.Pelo menos 43
manifestantes pró-europeus foram presos e 32 polícias ficaram feridos
durante um protesto que se prolongou durante a madrugada frente ao
Parlamento de Tblisi.O primeiro-ministro da Geórgia, Irakli Kobajidze, anunciou a suspensão
“até ao final de 2028” das negociações de adesão à UE, cenário já
assumido por Bruxelas perante a deriva antidemocrática observada em
Tbilissi.“Decidimos não colocar na ordem
do dia a questão da abertura de negociações com a UE até ao final de
2028. Além disso, até ao final de 2028, também rejeitamos quaisquer
subsídios orçamentais da UE”, afirmou Kobajidze, citado pela imprensa
georgiana.A Comissão Europeia já suspendeu
“de facto” o processo de adesão da Geórgia devido a recentes medidas
tomadas por Tbilissi - como uma controversa lei sobre agentes
estrangeiros inspirada na Rússia e uma lei contra os interesses da
comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trans) – que suscitaram
preocupação em Bruxelas sobre o rumo antidemocrático do país.Num
relatório recente, Bruxelas advertiu que a lei sobre a influência
estrangeira “vai contra os valores e princípios em que se baseia a UE” e
sublinhou que “põe em risco a trajetória europeia da Geórgia”, mantendo
assim “de facto” congelada a adesão de Tbilissi ao bloco comunitário.As recentes eleições legislativas na Geórgia, ocorridas em outubro, vieram também agravar esta crise de confiança.A
oposição, incluindo a presidente do país, Salome Zurabishvili,
denunciou uma fraude eleitoral e a UE anunciou que enviará uma missão
técnica para avaliar as irregularidades detetadas pelos observadores
internacionais.Zurabishvili exigiu a convocação de novas eleições legislativas.O
Parlamento Europeu tinha também apelado quinta-feira à repetição das
eleições legislativas na Geórgia, no prazo de um ano, rejeitando os
resultados “comprometidos por irregularidades” naquele país.A
aproximação do Governo da Geórgia à Rússia liderada por Vladimir Putin
impossibilita “qualquer avanço no sentido da adesão à UE”, segundo os
eurodeputados.