UCI retira licença desportiva à W52-FC Porto, que falha Volta a Portugal
27 de jul. de 2022, 16:51
— Lusa/AO Online
"A
Federação Portuguesa de Ciclismo confirma que foi notificada pela
União Ciclista Internacional (UCI) de que esta entidade decidiu retirar a
licença desportiva à equipa continental W52-FC Porto, na sequência da
informação recebida pela UCI sobre o processo que decorre na Autoridade
Antidopagem de Portugal", lê-se no comunicado da FPC.A
FPC salienta ainda na nota que "a decisão entra imediatamente em vigor,
pelo que a equipa está impedida de voltar a competir", o que
inviabiliza, desde logo, a participação dos ‘dragões’ na 83.ª Volta a
Portugal, que decorre entre 04 e 15 de agosto.A
estrutura W52, ligada ao FC Porto há seis épocas, venceu as últimas
nove edições da prova ‘rainha’ do calendário nacional, embora os
triunfos do seu corredor espanhol Raúl Alarcón, em 2017 e 2018, lhe
tenham sido retirados por “uso de métodos e/ou substâncias proibidas”.A 15 de julho, oito ciclistas e dois elementos do ‘staff’ da W52-FC Porto
foram suspensos preventivamente pela Autoridade Antidopagem de Portugal
(ADoP) no âmbito da operação ‘Prova Limpa’.No
dia seguinte, a identidade de seis desses ciclistas foi conhecida,
quando os mesmos foram impedidos de alinhar na terceira etapa do Grande
Prémio Douro Internacional, que acabou por ser conquistado por José
Neves, o único representante da equipa que continuou em prova.Foram
afastados Ricardo Vilela e José Gonçalves, além de quatro antigos
vencedores da Volta a Portugal: João Rodrigues (2019), Rui Vinhas
(2016), Ricardo Mestre (2011) e Joni Brandão, que ‘herdou’ a vitória na
edição de 2018 depois da desclassificação, por doping, de Raúl Alarcón.Além
dos ciclistas que alinhavam no GP Douro Internacional, a W52-FC Porto
conta ainda nas suas fileiras com Amaro Antunes, três vezes vencedor e
bicampeão em título da Volta (2021, 2020 e 2017), Jorge Magalhães,
Samuel Caldeira e Daniel Mestre, estes últimos também suspensos, segundo
confirmou o ‘patrão’ da equipa, Adriano Quintanilha, ao jornal Record.No
final de abril, 10 corredores da W52-FC Porto foram constituídos
arguidos e o diretor desportivo da equipa, Nuno Ribeiro, foi mesmo
detido, assim como o seu adjunto, José Rodrigues, no decurso da operação
‘Prova Limpa’, a cargo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP)
do Porto.“A operação policial, envolvendo
um total de cerca de 120 elementos provenientes da Diretoria do Norte e
ainda das Diretorias do Centro e do Sul, da Unidade Nacional de Combate
à Corrupção e dos Departamentos de Investigação Criminal de Braga, Vila
Real e Guarda, contou ainda com a colaboração da ADoP”, detalhou a PJ,
em 24 de abril, indicando que durante a mesma “foram apreendidas
diversas substâncias e instrumentos clínicos, usados no treino dos
atletas e com impacto no seu rendimento desportivo".