Turquia e UE retomam diálogo, Albânia avança na adesão e Sérvia aproxima-se da Rússia
30 de out. de 2024, 16:11
— Lusa/AO Online
De acordo com
o relatório sobre a candidatura da Turquia, que foi lançada em 1999, as
eleições locais no país, em março de 2024, decorreram sem exaltações e
de uma maneira geral respeitaram a vontade da população.No
entanto, Bruxelas criticou o “grande enfraquecimento” do poder do
parlamento em detrimento do poder do Presidente, Recep Tayyip Erdogan.“Há
falta de ferramentas para responsabilizar o Governo” e “a pressão
governamental sobre autarcas da oposição continuar a enfraquecer a
democracia local”, advertiu o executivo comunitário.O
espaço de intervenção das organizações da sociedade civil “está a
encolher” e “enfrenta cada vez mais constrangimentos, incluindo por
parte das autoridades”.Em conferência de
imprensa na apresentação destes relatórios, o comissário europeu para o
Alargamento, Olivér Várhelyi, considerou que o diálogo com Ancara foi
retomado e que houve uma mudança de postura com “benefícios diretos para
os dois lados”.Mas o Alto-Representante
da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Josep
Borrell, lamentou que haja um “desalinhamento em matéria de política
externa”, que é “particularmente baixo”.No
que diz respeito à Albânia, que no dia 15 de outubro abriu as
negociações por capítulos, o funcionamento das instituições democráticas
“é parcialmente satisfatório”, apesar do sistema política “altamente
polarizado” e “supervisão parlamentar limitada” e de falta de
compromissos entre o partido no poder e a maior força política da
oposição.Bruxelas reconheceu que ainda há
“barreiras socioculturais estruturais e institucionais” no acesso das
mulheres à política, quer seja para serem deputadas, ministras ou
autarcas.“A supervisão do parlamento do
executivo também foi enfraquecida”, reconheceu Bruxelas, uma vez que a
maior parte das propostas legislativas são decididas em Conselho de
Ministros, e faltam “transparência e padrões éticos mais elevados nos
procedimentos parlamentares”.Já a
avaliação feita do sistema judicial é “maioritariamente satisfatória” e
está alinhada com os padrões europeus, advogou a Comissão Europeia.Já a luta contra a corrupção, que era uma das principais debilidades da Albânia, “continua estável”.Mas Bruxelas é mais dura com a Sérvia.Reconhecendo
que Belgrado alinhou no início da invasão russa da Ucrânia com “algumas
posições” da UE em relação ao conflito, incluindo na Assembleia Geral
das Nações Unidas, e que “esteve ao lado da União Europeia para impedir o
contorno das sanções” contra Moscovo, e com “apoio humanitário e
financeiro” a Kiev.“No entanto, ainda não
alinha com quaisquer medidas restritivas contra a Federação Russa e não
está alinhada com a maioria das declarações do Alto-Representante nesse
sentido”, criticou o executivo comunitário.Belgrado
“manteve relações de alto nível com a Federação Russa e intensificou as
relações com a China, levantando questões sobre a direção estratégica
da Sérvia”, aponta o relatório.“Ao abrigo
do acordo de negociação entre a UE e a Sérvia, é expectável que o país
progrida no sentido de alinhar as suas políticas em relação a países
terceiros com as políticas e posições adotadas pela UE, incluindo
medidas restritivas”, critica o executivo comunitário.