Turismo nacional com 600.000 postos de trabalho e 60.000 ME em risco
Covid-19
5 de jul. de 2021, 11:52
— Lusa/AO Online
De acordo com um relatório
sobre o turismo em Portugal, levado a cabo pela consultora McKinsey, em
termos globais, estima-se que, “entre 2020 e 2023, Portugal pode perder
60.000 milhões de euros do PIB (equivalente a 26% dos níveis do PIB em
2019), considerando tanto os efeitos diretos quanto os indiretos e
induzidos”.“Adicionalmente, no pico da
crise, o setor poderá perder até 600 mil empregos, alguns dos quais
poderão não ser recuperados no futuro”, refere também o relatório.O
estudo destaca a importância do turismo para a economia portuguesa, uma
vez que é responsável por 18,6% do total de empregos no país, se forem
tidos em conta os efeitos diretos, indiretos e induzidos, sendo que, em
locais como o Algarve, a Madeira e os Açores, o setor representa mais de
20% do Produto Interno Bruto (PIB) e empregos locais. A
consultora destaca também o impacto que a crise no turismo tem noutros
setores da economia, “que dependem deste tráfego para se manterem à
tona, tais como centros comerciais, restaurantes e retalhistas”.O
relatório prevê que o turismo doméstico em Portugal possa não voltar
aos níveis pré-pandemia até 2023, e o mesmo acontecerá com o turismo
internacional, que é cerca de quatro vezes maior do que o doméstico, até
2024.“Embora seja impossível prever
quando é que o setor poderá dar sinais de retoma, há muitas medidas que
os ‘players’ do setor poderiam estar a desenvolver no imediato”, refere a
consultora, indicando três prioridades “para uma recuperação mais
rápida e mais sustentável”: o aumento da competitividade das empresas
através da digitalização, modelos de colaboração dentro do setor e
“criar um novo paradigma” para o turismo do futuro.A
análise da Mckinsey sugere que o turismo de eventos (reuniões,
incentivos, conferências e exposições), viagens de grupo, cruzeiros,
viagens individuais e de turismo urbano serão os mais afetados pela
pandemia e demorarão mais tempo a recuperar, enquanto que, por outro
lado, o turismo de segunda habitação, o ecoturismo e o turismo
religioso, desportivo e cultural serão menos afetados e deverão
recuperar mais rapidamente.Por fim, o
relatório aponta cinco fatores-chave que determinarão a rapidez com que o
setor turístico nacional poderá recuperar: a atratividade dos
principais destinos, a disponibilidade de capacidade aérea, a capacidade
e qualidade dos cuidados de saúde, o peso das viagens de negócios e a
importância da sustentabilidade.