Turismo ligado ao transporte aéreo contribui para aumento das rendas em Portugal
Hoje 11:18
— Lusa/AO Online
A associação
ambientalista cita um novo estudo sobre os impactos económicos do
crescimento do transporte aéreo e do turismo publicado hoje pela
Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E, na sigla
inglesa), que a ZERO integra.O estudo
“demonstra que o aumento contínuo das chegadas por via aérea não só
agrava os impactos ambientais e climáticos, como também contribui para a
pressão sobre o mercado habitacional, reduz o investimento produtivo na
economia e não assegura uma melhoria significativa dos salários ou da
qualidade de vida das populações”, acrescenta em comunicado. Os
preços das habitações e das rendas são sensíveis à chegada de turistas
internacionais, independentemente do meio de transporte utilizado, mas o
estudo isola a contribuição do transporte aéreo, considerando que
Portugal se encontra entre os países que poderão sofrer “uma das maiores
pressões sobre os preços da habitação e das rendas”.Segundo
a Zero, a análise estima que “a renda média anual das casas em
Portugal, em áreas de maior pressão turística, aumente 193 euros por ano
para novos contratos, ao longo dos próximos cinco anos (2026-2031)”.Os
ambientalistas salientam que estes resultados fazem aumentar as suas
preocupações em relação “à expansão da capacidade aeroportuária na
região de Lisboa”. “Aos impactos
conhecidos em matéria de emissões de gases com efeito de estufa, ruído,
poluição atmosférica, degradação da biodiversidade e pressão sobre as
infraestruturas urbanas, junta-se agora um efeito económico
frequentemente negligenciado: o agravamento da crise da habitação e da
pressão turística sobre o território”.Além
disto, o estudo mostra igualmente que “a pressão exercida pelo
crescimento do turismo associado ao tráfego aéreo sobre o aumento dos
preços da habitação pode produzir efeitos negativos na produtividade da
economia portuguesa”, referindo projeções que indicam que o investimento
empresarial poderá sofrer uma quebra de 0,5% no período 2019-2031, o
que corresponde, em termos absolutos, “a uma perda estimada em cerca de
200 milhões de euros por ano”. Neste
contexto, a Zero defende que “Portugal deve orientar a sua política
pública para a qualificação do turismo e não para a sua expansão
ilimitada”, sustentando que o país “beneficiará mais de um modelo
assente na qualidade do turismo, na sustentabilidade ambiental, na
proteção da habitação acessível e na diversificação da sua base
económica do que de uma estratégia focada em maximizar o número de voos e
passageiros”.Assinala que esta escolha
está “plenamente alinhada com a Estratégia Nacional para o Turismo
Sustentável, que privilegia a criação de maior valor económico, social e
ambiental em vez do simples aumento do número de visitantes”. Para
estimular um turismo mais sustentável, a Zero sugere que se avalie a
criação de “uma taxa cobrada aos passageiros quando abandonam o país por
via aérea”, existente em vários países europeus.Esta
taxa de partida “poderá contribuir para internalizar parte dos custos
ambientais e sociais associados ao transporte aéreo e gerar receitas
destinadas à valorização do património cultural e natural, à melhoria da
qualidade ambiental, ao reforço da mobilidade sustentável e à
qualificação do próprio setor turístico”, adianta.