Turismo em Barcelona será afetado, como aconteceu nas outras cidades
19 de ago. de 2017, 11:28
— Lusa / AO online
"A experiência dos atentados em Paris, Nice, Berlim ou
Londres diz-nos que vai ter efeitos, não só no número de turistas a
visitar, porque é lógico que haja medo, mas também no estado de ânimo
coletivo da cidade", lembrou o analista, em declarações à Lusa por
telefone. Mercader recordou que, em Paris, foi preciso esperar um
ano para que se recuperasse o nível de consumo dos próprios habitantes
da cidade. "Creio que depois de passarem os primeiros momentos da
crónica policial e da crónica política têm muito protagonismo, a
autarquia terá de pensar em algum tipo de iniciativa" para tentar
prevenir problemas. Defendeu que se estude a experiência de Paris para tentar evitar as consequências negativas "ao máximo". "Agora
estamos todos na crónica do momento de dor e do ?não tenham medo', mas
isto vai passar e será preciso objetivar e enfrentar as consequências",
alertou, reiterando que "em todos os sítios onde houve atentados deste
tipo o turismo ressentiu-se e a própria a atividade económica da cidade
também. "Barcelona não vai ser diferente". Questionado
sobre se o atentado poderá também afetar as relações entre a comunidade
magrebina e as restantes comunidades de Barcelona - uma vez que os
terroristas identificados pela polícia por envolvimento no atentado de
quinta-feira são marroquinos ou de Melilla, Mercader manifestou-se
otimista. "Quero pensar que não, que isto não se vai traduzir
numa tensão entre comunidades. Creio que a própria comunidade magrebina
se porá em marcha para evitar a confusão entre um radical e uma
comunidade que nunca foi conflituosa em Barcelona e na Catalunha. Acrescentou
que essa deverá ser aliás uma questão de consenso político: "Aqui
haverá coincidência entre todos os partidos para que não se produza
nenhuma brecha e nenhum confronto entre as comunidades", disse. Espanha
foi alvo na quinta e sexta-feira de dois ataques terroristas, em
Barcelona e em Cambrils, Tarragona, que fizeram no total 14 mortos e 135
feridos. Uma portuguesa de 74 anos, residente em Lisboa, está
entre as vítimas mortais do ataque em Barcelona, e uma jovem de 20 anos,
que a acompanhava, está desaparecida. O ataque de Barcelona, em
que uma furgoneta avançou sobre a multidão nas Ramblas, grande avenida
do centro da capital catalã, matando 13 pessoas, foi reivindicado pelo
grupo extremista Estado Islâmico. Horas depois, na madrugada de
sexta-feira, cinco homens num automóvel atropelaram um grupo de pessoas
em Cambrils, a cerca de 100 quilómetros de Barcelona, fazendo um morto e
cinco feridos. O porta-voz da polícia catalã anunciou que foram
feitas quatro detenções, três marroquinos e um espanhol, nenhum deles
com antecedentes ligados ao terrorismo.