Turismo contribuiu com 11,8% para o PIB português em 2025
Hoje 10:49
— Lusa/AO Online
Segundo os resultados da Conta Satélite do
Turismo do Instituto Nacional de Estatística (INE), “estima-se que, em
2025, o consumo turístico tenha tido um contributo total (direto e
indireto) de 11,8% (36.200 milhões de euros) para o PIB e de 11,4%
(30.400 milhões de euros) para o VAB [Valor Acrescentado Bruto] da
economia nacional”. Face a 2024, o PIB e o VAB total do turismo aumentaram, respetivamente, 5,3% e 5,5%, em termos nominais.Apesar
do contributo do turismo para o crescimento real do PIB continuar a ser
positivo, o INE nota que "tem vindo a diminuir": Depois de representar
3,6 pontos percentuais de uma variação em volume do PIB de 7,0% em 2022 e
1,2 pontos percentuais de um crescimento de 3,1% em 2023, esse
contributo reduziu-se para 0,4 pontos percentuais em 2024 e 0,3 pontos
percentuais em 2025.Em 2025, o VAB direto
gerado pelo Turismo (VABGT) registou uma variação nominal igual à do VAB
nacional (5,6%), enquanto o Consumo do Turismo no Território Económico
(CTTE) aumentou 4,9%, abaixo da variação nominal do PIB nacional (5,9%).Estimado
em 21.473 milhões de euros, o VABGT representou 8,1% do VAB nacional em
2025, mantendo a importância relativa no triénio 2023-2025, tendo o
CTTE somado 49.350 milhões de euros e representado 16,1% do PIB, um
“ligeiro decréscimo” face ao máximo histórico alcançado em 2023 (16,3%)
face aos 16,2% de 2024.Em 2023, o emprego
nas atividades características do turismo a tempo completo registou “um
crescimento significativo” de 10,6%, acima da economia nacional (3,8%),
representando 10,4% do emprego em Portugal (9,8% em 2022).O
emprego remunerado nestas atividades aumentou 11,0%, enquanto o não
remunerado cresceu 8,6%, o que compara com crescimentos na economia
nacional de 3,9% e 3,8%, respetivamente. De
acordo com o INE, este dinamismo reflete a continuação da recuperação
da atividade turística após o impacto marcadamente negativo da pandemia.Na
mesma linha, todas as atividades características do turismo
apresentaram crescimentos no emprego e nas remunerações, resultando num
“aumento significativo” do emprego total (10,6%) e ainda mais
pronunciado das remunerações (21,6%).No
emprego, as atividades que registaram crescimentos mais elevados foram
os “outros transportes” (18,9%), o “aluguer de equipamento de
transporte” (18,6%) e os “hotéis e similares (15,2%)”, enquanto nas
remunerações as atividades dos transportes aéreos evidenciaram o
crescimento mais significativo (54,5%), “refletindo a alteração de
políticas remuneratórias restritivas adotadas pelo setor durante o
período pandémico”. Embora a remuneração
média por trabalhador nas atividades do turismo tenha aumentado 9,8% em
2023, manteve-se inferior à média nacional, correspondendo a 92,8% do
total da média da remuneração nacional.As
estatísticas divulgadas hoje pelo INE posicionam ainda Portugal face a
outros países europeus quanto ao peso do turismo no PIB, indicando que,
em 2024, o país "se manteve em posições de topo" relativamente ao peso
do CTTE e do VABGT na economia nacional".Assim,
nesse ano, “Portugal manteve a segunda posição no que se refere à
importância relativa da procura turística no PIB (16,2%), atrás da
Islândia, que manteve a primeira posição (19,2%)”.Segundo
o instituto estatístico, “com exceção da Finlândia (-3,1%), os
restantes países registaram aumentos do CTTE, refletindo a dinâmica do
setor no período pós-pandemia”, tendo Portugal registado uma variação de
6,8% e a Chéquia assumido um lugar de destaque com uma taxa de 10,7%, a
mais elevada de entre o conjunto de países com informação disponível
para 2024.Segundo o Eurostat, o peso
relativo do VABGT no VAB da economia portuguesa (8,1%, em 2024) foi
superado apenas pelo registo da Croácia (10,5%, em 2022).