Turismo açoriano em sobressalto com fim dos voos da Ryanair no fim de semana
Hoje 14:00
— Lusa/AO Online
A Ryanair
anunciou no fim de 2025 o fim da operação para os Açores a partir de 29
de março (domingo), devido às taxas aeroportuárias e à tributação
ambiental europeia. Segundo o ‘site’ da companhia, os últimos voos de e
para o arquipélago são feitos no sábado (Lisboa – Terceira – Lisboa e
Porto - Ponta Delgada – Porto).Em janeiro,
o presidente executivo da companhia aérea, Michael O’Leary, disse, em
entrevista à agência Lusa, que a Ryanair iria encerrar a base nos Açores
no fim de março, rejeitando qualquer possibilidade de recuo, o que
efetivamente aconteceu.O Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) ainda tentou, sem sucesso, que a companhia mantivesse a
operação na região, iniciada em 2015.Em
fevereiro, a secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta
Cabral, informou que o executivo estava a “trabalhar” com a TAP e com a
SATA – as outras companhias com rotas comerciais regulares para o
arquipélago - para colmatar a saída da Ryanair e a fazer “diligências”
para levar outras companhias para a região a “médio prazo”.Também
o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, disse este mês
que o executivo está a avaliar alternativas de promoção para responder
ao vazio deixado pela transportadora irlandesa.“Estamos
a trabalhar para representar, na boa economia do mercado, soluções que,
na verdade, resolvam os vazios. E que encontremos as alternativas
relativamente à valorização de uma estratégia de promoção do destino
turístico Açores”, afirmou.O Grupo SATA
revelou já no início do ano estar a avaliar como poderá “contribuir para
mitigar eventuais constrangimentos” para turistas e residentes.“A
SATA acompanha com atenção a decisão da Ryanair de cessar as suas
operações nos Açores, reconhecendo o impacto que esta saída poderá ter
na mobilidade dos residentes, na conectividade do arquipélago e no setor
do turismo”, adiantou na altura à Lusa fonte oficial do grupo de
aviação açoriano, que não voltou agora a prestar declarações sobre o
tema.O certo é que, com a saída da
Ryanair, se ouvem preocupações no meio empresarial açoriano, sobretudo
de áreas dependentes do turismo, como hotelaria, restauração, alojamento
local, empresas de ‘rent-a-car’ e de animação e atividades turísticas,
atendendo à grande importância que o setor tem para a dinamização
económica da região.Ainda em fevereiro,
durante a BTL 2026 - Better Tourism Lisbon Travel Market, em Lisboa, o
presidente do executivo regional considerou que a aposta na
autenticidade, na identidade histórica e na qualidade da experiência o é
fator da consolidação do arquipélago como “destino turístico de
excelência e de eleição”.Bolieiro referiu
que o rendimento previsto com este setor em 2019 apontava para 104
milhões de euros e, atualmente, “esse valor atinge os 206 milhões de
euros, o que representa um aumento de 97%”.Com
a saída da Ryanair, os empresários temem mudanças. A Câmara de Comércio
e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) estima que provoque uma redução
anual do Produto Interno Bruto (PIB) regional entre 1,5% e 1,7%, numa
quebra até 104,5 milhões de euros.Considerando
que "o turismo representa cerca de 20% do PIB regional e que a Ryanair é
responsável por uma quota estimada entre 7,5% e 8,7% do total das
dormidas turísticas", a saída da companhia poderá traduzir-se "numa
redução do PIB regional entre aproximadamente 90,1 milhões e 104,5
milhões de euros por ano, o que corresponde a uma diminuição estimada
entre 1,5% e 1,7% do PIB previsto para 2026", adiantou a CCIPD.A Ryanair ligava o continente português aos Açores com voos de Lisboa e do Porto para as ilhas de São Miguel e Terceira.A
saída da transportadora irlandesa acontece dias depois da operação
“Last Call”, que incluiu a realização de buscas pela Polícia Judiciária
(PJ) em “vários locais da administração regional”.Através
da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, a PJ realizou a operação
nos Açores (São Miguel, Terceira e Faial) e em Lisboa, no âmbito de um
inquérito por “suspeitas do favorecimento de uma companhia aérea por
parte de uma entidade pública” e constituiu cinco arguidos. O
secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo
Estêvão, esclareceu que as buscas realizadas pela PJ ocorreram em
“vários locais da administração regional”, assegurando que há “total
colaboração com as autoridades” por parte do executivo.Ainda
de acordo com a polícia, em causa “estão suspeitas do favorecimento de
uma companhia aérea por parte de uma entidade pública, designadamente
através de financiamento ilegal na adjudicação indevida de contratos
financiados pelo Programa Operacional dos Açores 2030”.