Trump promete “despedir” Harris e deportar imigrantes em comício com insultos racistas
EUA/Eleições
28 de out. de 2024, 13:02
— Lusa/AO Online
"Destruíste
o nosso país. Não te vamos aturar mais. Vai-te embora, Kamala! Estás
despedida!", disse Trump, no palco do icónico anfiteatro Madison Square
Garden, no centro de Nova Iorque, repleto de apoiantes que começaram a
chegar mais de sete horas antes da sua intervenção.O
ex-presidente disse que a vice-presidente Harris, a sua rival democrata
nas eleições de 05 de novembro, “perpetrou a mais escandalosa traição”
contra o povo dos Estados Unidos da América, entre outras coisas, por
“implantar um exército de imigrantes que está a levar a cabo uma
campanha de violência e terror contra” os cidadãos norte-americanos.Trump
reiterou que vai invocar a lei marcial utilizada pela última vez
durante a Segunda Guerra Mundial para deportar imigrantes em massa,
porque o país está a ser “ocupado”.Constantemente
aplaudido e precedido pela mulher, Melania Trump, e pelo magnata e
cofundador da Tesla Elon Musk, o ex-presidente anunciou que irá
adicionar deduções fiscais ao seu plano económico para pessoas que
cuidam de familiares com necessidades especiais.A
proposta surge após Harris ter falado sobre a “geração sanduíche” de
adultos que cuidam de pais idosos enquanto criam os seus filhos ao mesmo
tempo, e propôs financiamento federal para cobrir os custos dos
cuidados domiciliários para os norte-americanos mais velhos.O
candidato republicano reiterou que deixará de taxar gorjetas, horas
extraordinárias e benefícios de segurança social dos reformados,
propostas que se centram em grupos de eleitores essenciais para Trump
ganhar as eleições e prevalecer nos sete estados decisivos destas
eleições: Pensilvânia, Geórgia, Carolina do Norte, Nevada, Arizona,
Wisconsin e Michigan.Além disso, citado
pela agência Efe, prometeu que dentro de um ano reduzirá para metade o
custo da gasolina e acabará com o programa de redução de emissões
poluentes conhecido como ‘Green New Deal’, a que chamou “a grande fraude
verde”.“Vamos acabar com a inflação rapidamente e simplesmente tornar a América acessível novamente”, adiantou.O
ex-presidente criticou o seu sucessor, Joe Biden, por ter passado o
mandato “adormecido” e não ter gerido bem o conflito na Ucrânia, a
retirada do Afeganistão antes da tomada do poder pelos talibãs ou a
resposta aos últimos furacões que atingiram o país.O
candidato republicano subiu ao palco depois de vários dos seus aliados
terem usado insultos grosseiros e racistas contra a vice-presidente
Kamala Harris e outros críticos do governo.Vários
oradores insultaram Harris, que está a competir para se tornar a
primeira mulher negra a ganhar a Presidência, e um comediante de
‘stand-up’ fez comentários obscenos e racistas sobre latinos, judeus e
negros, todos círculos eleitorais importantes a apenas nove dias de
distância do sufrágio.“Não sei se sabem
disto, mas há literalmente uma ilha flutuante de lixo no meio do oceano
neste momento. Acho que se chama Porto Rico”, disse o comediante Tony
Hinchcliffe, citado pela agência Associated Press.A
piada foi imediatamente criticada pela campanha de Harris, que compete
com Trump para conquistar as comunidades porto-riquenhas na Pensilvânia e
noutros estados indecisos. Pouco depois da aparição de Hinchcliffe, a
super-estrela da música Bad Bunny, que é natural de Porto Rico, endossou
o apoio a Harris.O amigo de infância de
Trump, David Rem, referiu-se a Harris como “o Anticristo” e “o diabo”, o
empresário Grant Cardone disse à multidão que a vice-presidente “e os
seus proxenetas vão destruir” o país, enquanto o ex-apresentador da Fox
News, Tucker Carlson, chamou a Harris filha de imigrantes jamaicanos e
indianos, “uma ex-promotora samoana, malaia e de baixo QI da
Califórnia”.Alguns democratas,
argumentando que Trump é um “fascista”, compararam o seu evento de
domingo a um comício pró-nazi no Madison Square Garden, em fevereiro de
1939, e vários oradores criticaram no domingo Hillary Clinton, a
democrata derrotada por Trump há oito anos, por dizer recentemente que
Trump estaria a “reencenar” o evento de 1939.Além
dos holofotes nacionais e do apelo de aparecer num dos palcos mais
famosos do mundo, os republicanos do estado dizem que o comício também
ajudará a rejeitar os candidatos. Nova Iorque é palco de algumas
disputas competitivas no Congresso que podem determinar qual o partido
que controlará a Câmara no próximo ano.Ainda
assim, a campanha de Trump organizou este evento numa cidade com uma
grande maioria democrata e num estado que todas as sondagens dão
confortavelmente a Harris, que a ser eventualmente “despedida”, não
deverá ser na ‘Big Apple’.