Trump pretende submeter acordo de paz ao Congresso
Irão
Hoje 17:35
— Lusa/AO Online
“Nunca pensei em enviá-lo” ao
Congresso, disse inicialmente Donald Trump quando questionado sobre o
assunto à margem da cimeira do bloco das sete maiores economias mundiais
(G7) em Evian, leste de França.“Mas vou enviá-lo ao Congresso. Gosto dessa ideia”, afirmou.Questionado
sobre o texto do acordo com o Irão, já assinado eletronicamente e que
será formalizado durante uma cerimónia na sexta-feira na estância alpina
de Bürgenstock, perto de Lucerna, Donald Trump prometeu novamente
torná-lo público.“Não vou apenas
publicá-lo, vou certamente dar uma conferência de imprensa e lê-lo até à
vírgula para ter a certeza de que a imprensa o cobre corretamente”,
afirmou o líder republicano.O Presidente
norte-americano já tinha indicado que pretendia esperar até depois da
cerimónia de assinatura na sexta-feira para publicar o texto.Quanto
a um acordo final de paz, Trump considerou viável chegar a um consenso
definitivo com Teerão dentro do prazo estabelecido de 60 dias,
reservados para negociar o programa nuclear iraniano, entre outros
pontos.“O prazo é de cerca de 60 dias.
Penso que será cumprido mais ou menos conforme previsto. Ambas as partes
têm estado envolvidas no processo. Penso que querem chegar a um acordo.
O Irão quer fazê-lo. Precisa de regressar à atividade normal”, afirmou
Trump no início de uma reunião bilateral com o homólogo dos Emirados
Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan.Nessa
reunião, que decorreu à margem da cimeira do G7, considerou que, “agora
que a relação se normalizou”, poderá haver progressos “bastante
rápidos”.“Poderia ser mais rápido, embora
também pudesse demorar mais tempo. Mas poderia acelerar”, disse Trump,
que referiu não ter qualquer problema em publicar o memorando de
entendimento, mas que gostaria de dispor “de um quadro formal para o
fazer”."É muito simples. É isto que diz: o Irão nunca terá uma arma nuclear", insistiu o governante norte-americano. Trump
sublinhou que isso representava “cerca de 99,9%” do que exige, “porque
não podia permitir” tal avanço por parte do regime iraniano. O
líder norte-americano referiu ainda que o texto estabelece que o
estreito de Ormuz ficará aberto “sem portagens”, para além dos 60 dias.Trump
deixou também claro que a sua administração não concordou em gastar 300
mil milhões de dólares (cerca de 258 mil milhões de euros ao câmbio
atual) no Irão como parte de um eventual acordo bilateral.“Não
temos qualquer obrigação”, afirmou, salientando que o acordo assinado
os autoriza “a avançar e a investir, caso o desejem no futuro”.Numa
outra reunião bilateral à margem da cimeira do G7, com o emir do Qatar,
Tamim bin Hamad Al Thani, Trump pediu ao primeiro-ministro israelita,
Benjamin Netanyahu, para ser "mais responsável” no Líbano e admitiu não
estar satisfeito com a maneira como Israel tem levado a cabo as suas
intervenções no país vizinho e que poderão prejudicar a perceção do
acordo de paz alcançado com o Irão.Trump
considerou que o conflito entre Israel e o movimento xiita libanês
Hezbollah, apoiado pelo Irão, se prolonga há demasiado tempo e criticou a
destruição de edifícios residenciais durante as operações militares
conduzidas por Telavive.O republicano até sugeriu que a Síria devia encarregar-se de lançar uma campanha militar contra o Hezbollah.“Acho
que a Síria conseguiu unificar o país de forma surpreendentemente
rápida. Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todos os
outros, fará. A Síria fará o trabalho”, declarou Trump, que aproveitou
também para sublinhar o apoio histórico dos Estados Unidos a Israel,
afirmando que o país “teria sido destruído há muito tempo” sem a
assistência norte-americana.