Trump insiste em denunciar fraude eleitoral sem apresentar provas
EUA/Eleições
3 de dez. de 2020, 11:43
— Lusa/AO Online
As afirmações de Trump contradizem as do seu próprio procurador-geral, William Barr. Um
dia depois de este reconhecer que o Departamento de Justiça não
encontrou provas de uma fraude que possa ter alterado os resultados
eleitorais, que dão a vitória ao democrata Joe Biden, Trump publicou um
vídeo de 46 minutos na sua página pessoal na rede social Facebook.Na
gravação, Trump repetiu as acusações sem provas que a sua equipa de
advogados tem avançado e que têm fracassado sucessivamente nos tribunais
dos Estados decisivos.Mencionou em particular o argumento de terem votado imigrantes e “pessoas que estão mortas há 25 anos”. No vídeo, Trump afirmou: “Estas eleições foram arranjadas. Todos o sabem”.A recusa de Trump em reconhecer a derrota tem-lhe custado o afastamento progressivo de várias figuras republicanas de topo. Sem
mencionar directamente Barr, Trump disse claramente que entende que foi
“roubado” e que houve uma “ação orquestrada” de declarar Biden como
vencedor, mas sem apresentar qualquer prova. O
incumbente, que perdeu as eleições por quase sete milhões de votos e
cuja derrota foi certificada em todos os Estados-chave, insistiu em que a
certificação dos resultados nestes Estados tem de ser “adiada
imediatamente”, porque houve “milhões de votos emitidos de forma
ilegal”, afirmação de novo sem provas em apoio. “Ainda
há tempo de sobra para certificar o vencedor correto das eleições”,
disse Trump, em referência aparente ao prazo, que decorre até 14 de
dezembro, quando o Colégio Eleitoral se vai reunir para oficializar a
vitória de Biden. Trump pediu ainda uma
“análise sistemática dos votos por correspondência”, que considera
fraudulentos na maioria dos casos, apesar de não se ter demonstrado que o
possam ser. Garantiu que “as infrações em
todos os Estados chave” afetam a “dezenas de milhares de votos”, o que
permitiu alterar os resultados das eleições, acusação esta feita também
sem qualquer prova de suporte e que foi negada pelos próprios dirigentes
republicanos nos Estados em causa. O
vídeo demonstra mais uma vez que Trump não está disposto a admitir a
vitória de Biden e que continua em campanha de descrédito do sistema
democrático dos EUA, que v+arios comentaristas tem descrito diretamente
como uma tentativa de golpe de Estado.Trump
começou a gravação - feita na Casa Branca, editada pela sua equipa e
sem a presença de jornalistas – com a afirmação de que este poderia ser
“o discurso mais importante que alguma vez fez”, mas não revelou nada de
novo em relação às acusações que faz desde há um mês.