Trump faz discurso de Estado da União com os olhos postos na sua reeleição
4 de fev. de 2020, 12:04
— Lusa/AO Online
Donald
Trump decidiu que não adiaria a data do discurso do Estado da União -
embora o pudesse fazer, por estar a decorrer o seu julgamento político
no Senado - e manteve o calendário argumentando que o país precisava de
ouvir a sua mensagem.O processo de
‘impeachment’ – em que é acusado de abuso de poder e obstrução ao
Congresso – deverá terminar em breve, depois de a maioria Republicana
ter aprovado a dispensa de novas testemunhas, e deve concluir pela
absolvição de Trump.O Presidente sempre
disse acreditar que o processo era uma “caça às bruxas”, destinado a
fragilizar a sua recandidatura presidencial, numa altura em que a
economia dos EUA está forte e a sua projeção internacional se tem
ampliado, com diversos acordos políticos e comerciais.A
imprensa norte-americana tem antecipado que Donald Trump centrará o seu
discurso na saúde económica e financeira, referindo os recordes das
bolsas de valores, os baixos números do desemprego e os aumentos dos
fundos de pensões.O Presidente deverá
ainda falar do acordo parcial comercial alcançado recentemente com a
China e repetir as vantagens de ser mais exigente com a segunda maior
economia mundial, referindo os milhares de milhões de dólares obtidos em
tarifas retaliatórias e colocando esperança no futuro das relações
entre os dois países.Trump também se
deverá referir ao plano de paz para o Médio Oriente, anunciado na
passada semana na Casa Branca, perante o primeiro-ministro de Israel,
Benjamin Netanyahu, e aos troféus de guerra na Síria, no Afeganistão e
no Iraque.O conflito com o Irão deverá
entrar no discurso, com uma provável alusão ao ataque de um aparelho
aereo não tripulado dos EUA que matou um Qassem Soleimani, um alto
comandante iraniano, bem como a repetição da ideia de que, enquanto for
Presidente o regime de Teerão não terá armas nucleares.A
oportunidade de novas relações comerciais com o Reino Unido, após o
‘Brexit’, que tem estado nos seus discursos de campanha, e a recuperação
da ideia do muro na fronteira com o México, que serve para reforçar a
sua ideia de mais proteção perante a imigração ilegal, também deverá
fazer parte do diagnóstico do Estado da União.Mas
Trump quererá falar para o seu eleitorado, com os olhos postos nas
eleições presidenciais de novembro, e para os adversários, como alguns
dos senadores Democratas presentes, que também são candidatos nas
primárias do seu partido.