Trump diz que tarifas são "a única forma" de Estados Unidos serem "tratados como devem"
22 de jan. de 2025, 13:01
— Lusa/AO Online
“A
União Europeia (UE) é muito má para nós. Tratam-nos muito mal. Não
aceitam os nossos automóveis nem os nossos produtos agrícolas. De facto,
não aceitam muita coisa”, disse o Presidente dos Estados Unidos,
acrescentando que, por isso, serão alvos de tarifas.Questionado
pela imprensa na Casa Branca, Trump garantiu ainda que a sua
administração está a discutir “tarifas de 10% sobre os produtos
chineses, porque eles enviam [o opióide] fentanil para o México e
Canadá”, que acaba por ser consumido nos Estados Unidos.“É
provavelmente para 01 de fevereiro", acrescentou Donald Trump, dia que
corresponde à data anunciada na véspera para a aplicação de tarifas de
25% sobre os produtos mexicanos e canadianos.A China reagiu, afirmando estar “firmemente determinada” a “defender os seus interesses nacionais”.“Sempre
acreditámos que não há vencedores numa guerra comercial ou numa guerra
tarifária”, declarou Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios
Estrangeiros chinês, numa conferência de imprensa.A
Presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, que
participou no Fórum Económico de Davos, na Suíça, na terça-feira,
garantiu que a Europa está pronta para falar com o governo dos Estados
Unidos, lembrando que Washington é um importante parceiro comercial.A
nossa primeira prioridade é iniciar rapidamente as conversações sobre
os nossos interesses comuns e estarmos prontos para negociar”, afirmou:
“Seremos pragmáticos, mas manter-nos-emos firmes nos nossos princípios:
defender os nossos interesses e respeitar os nossos valores”, afirmou a
líder europeia.“A Europa continuará a
defender a cooperação, não só com os nossos amigos de longa data (...)
mas também com todos os países com os quais temos interesses comuns”,
acrescentou von der Leyen.“A nossa
mensagem para o resto do mundo é simples: estamos prontos para dialogar
convosco, se isso puder conduzir a benefícios mútuos”, acrescentou,
assegurando que pretende “aprofundar” as relações entre Bruxelas e
Pequim.Durante a sua campanha
presidencial, Trump já tinha denunciado o défice comercial dos Estados
Unidos em relação à UE, comparando o bloco a “uma pequena China” e
acusando-o de se aproveitar da primeira potência económica mundial.“Temos
um défice comercial com a UE de 350 mil milhões de dólares”, insistiu
na terça-feira, referindoque ”a China é agressiva, mas não é só a China,
outros países também são grandes agressores”.O
défice comercial dos EUA com a UE ascenderá a 131 mil milhões de
dólares em 2023, de acordo com dados do Representante Comercial da Casa
Branca (USTR), e está concentrado principalmente em quatro países:
Alemanha, França, Irlanda e Itália.Mas as
causas variam: o défice comercial com a Alemanha é sobretudo de natureza
industrial, enquanto o da Irlanda está em grande parte ligado ao facto
de as sedes europeias de grandes grupos americanos estarem sediadas na
ilha, que aproveitam um sistema fiscal altamente vantajoso para
reduzirem os seus impostos, tanto no resto da Europa como nos Estados
Unidos.Antes de ser reeleito, Donald Trump
já tinha ameaçado a UE com a imposição de direitos aduaneiros sobre os
produtos europeus, a menos que o bloco aumentasse as suas compras de
petróleo e gás americanos.O Comissário
Europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, garantiu,
após a tomada de posse de Trump, que a UE está “pronta a defender os
seus interesses económicos”, como já fez “durante a primeira
administração Trump, quando introduziu tarifas sobre o aço e o
alumínio”.No seu primeiro mandato, o
Presidente dos Estados Unidos impôs direitos aduaneiros sobre o aço e o
alumínio para proteger a indústria americana, que considerava estar a
enfrentar a concorrência desleal dos países asiáticos e europeus, assim
como sobre uma série de produtos europeus, em represália pelo diferendo
comercial entre Washington e Bruxelas sobre as subvenções concedidas aos
construtores aeronáuticos Boeing e Airbus.