Trump “deitou gasolina no fogo” e “escolheu não agir” perante violência no Capitólio
22 de jul. de 2022, 08:51
— Lusa/AO Online
“O presidente escolheu não fazer o
que toda a gente lhe implorou que fizesse”, afirmou a congressista
Elaine Luria, um dos membros da comissão parlamentar que lideraram a
oitava audiência pública esta madrugada em Washington. A
sessão, transmitida em horário nobre, debruçou-se sobre as ações de
Donald Trump durante a tentativa de insurreição e a sua recusa em pedir
aos invasores que parassem o ataque e fossem para casa. Mesmo
no rescaldo da violência e vários mortos, o presidente não queria
ceder. “Não quero dizer que a eleição está terminada”, reclamou Trump
numa versão não editada do discurso filmado a 7 de janeiro, que estava a
ler num teleponto. A comissão apresentou
também imagens nunca antes vistas da mensagem gravada várias horas
depois do início do ataque, a 06 de janeiro, nas quais Trump se recusou a
ler a declaração preparada pelo seu staff e em vez disso improvisou,
dizendo aos invasores que a eleição foi roubada e eles eram “muito
especiais”. O intuito foi mostrar, com uma
cronologia ao minuto, como o ex-presidente “abandonou” o seu dever para
com a nação. Em vez disso, passou várias horas na sala de jantar da
Casa Branca a assistir ao ataque na televisão, via Fox News, e a fazer
telefonemas a senadores pedindo-lhes que adiassem a certificação dos
resultados das eleições.“O presidente
Trump não falhou por inação, ele escolheu não agir”, sublinhou o
congressista republicano Adam Kinzinger, outro dos membros que
lideraram a audiência. As notas que o
então presidente publicou no Twitter foram consideradas incendiárias
pelos seus próprios assistentes. Uma das notas repetia a falsidade sobre
fraude eleitoral e criticava o vice-presidente Mike Pence, o principal
alvo da fúria dos manifestantes, por não ter suspendido a certificação
da vitória de Joe Biden. “Era óbvio que a
situação estava violenta e o 'tweet' sobre o vice-presidente era a
última coisa de que precisávamos”, disse a vice-secretária de
comunicação da Casa Branca, Sarah Matthews, que se demitiu naquele dia.
“Foi como dar luz verde àquelas pessoas, de que a sua raiva era
justificada”. “Foi um 'tweet' terrível”,
considerou, num testemunho em vídeo, o ex-advogado da Casa Branca Pat
Cipollone. “Fui muito claro que era preciso uma declaração imediata e
firme de que as pessoas tinham de se ir embora”, afirmou. “Muitos
disseram isso, não apenas eu”. Mas,
durante 187 minutos, Trump não acedeu aos pedidos feitos por
assistentes, aliados, membros da sua administração, legisladores
republicanos e familiares para urgir o fim do ataque. Também não pediu
reforços para auxiliar a polícia do Capitólio nem deu qualquer ordem ao
Secretário da Defesa, Procuradoria-Geral, Segurança Interna ou FBI.Foram
mostradas mensagens de texto, testemunhos gravados em vídeo, áudio e os
testemunhos presenciais do ex-vice-conselheiro de segurança nacional
Matthew Pottinger e da vice-secretária de comunicação Sarah Matthews
sobre as tentativas falhadas de persuadir Trump a agir.Estas
provas foram sendo alternadas com imagens e ficheiros de áudio inéditos
mostrando a gravidade da situação, com legisladores encurralados e a
fugir, e conversas entre invasores transmitidas via 'walkie-talkie'. A
comissão apresentou ainda os testemunhos de duas pessoas, incluindo o
sargento Mark Robinson, que corroboraram o testemunho da assistente
Cassidy Hutchinson sobre uma altercação entre Trump e os agentes do
serviço secreto que se recusaram a conduzi-lo para participar na marcha
ao Capitólio. As audiências públicas sobre esta investigação vão regressar em setembro.