Trump condenado por pagamentos ilegais a atriz pornográfica mas sem pena
10 de jan. de 2025, 17:08
— Lusa/AO Online
A sentença do juiz
Juan Merchan, pronunciada durante uma audiência em Nova Iorque,
condena Trump a uma “dispensa incondicional”, o que não acarreta pena de
prisão ou de multa nem liberdade condicional, uma decisão que mereceu o
acordo dos procuradores. O juiz de
Manhattan poderia ter condenado o republicano de 78 anos a até quatro
anos de prisão. Em vez disso, optou por uma sentença que contornou
questões constitucionais espinhosas, pondo efetivamente termo ao
processo.Merchan disse que, tal como
acontece com qualquer outro arguido, tem de considerar quaisquer fatores
agravantes antes de impor uma sentença, mas a proteção legal que Trump
terá como Presidente “é um fator que se sobrepõe a todos os outros”.“O
que é extraordinário são as proteções legais que acompanham o cargo de
Presidente dos Estados Unidos, não a pessoa que ocupa esse cargo”,
sustentou o juiz.“Os cidadãos comuns não
recebem este tipo de proteção. É o cargo que a concede ao seu ocupante e
os cidadãos desta nação decidiram recentemente que o senhor, mais uma
vez, deve beneficiar delas”, disse o magistrado, em referência a casos
anteriores em que Trump foi ilibado pela sua imunidade presidencial,
como o seu alegado envolvimento no ataque dos seus apoiantes ao
Capitólio em janeiro de 2021.Em abril de
2024, Trump tinha sido condenado num total de 34 acusações, quando ainda
nem era candidato confirmado à Casa Branca (presidência
norte-americana). O juiz responsabilizou-o
de falsificação de documentos, para ocultar um pagamento de 130 mil
dólares (126 mil euros, ao câmbio atual) à atriz de filmes pornográficos
Stormy Daniels, para que esta não falasse de uma suposta relação
extramatrimonial entre os dois ocorrida uma década antes. O
processo não prejudicou a reputação de Trump, que mesmo assim foi
eleito em novembro para regressar à Casa Branca, derrotando a
vice-presidente e candidata democrata, Kamala Harris.Participando
hoje de forma virtual na sessão, a partir da sua mansão em Mar-a-Lago,
Florida, Trump voltou a criticar o caso, o único dos seus quatro
processos criminais que foi a julgamento e possivelmente o único que
alguma vez o será.“É uma vergonha para o
sistema”, denunciou o republicano, que entrará na Casa Branca dentro de
dez dias como o primeiro Presidente norte-americano a ser condenado num
processo criminal. “Tem sido uma caça às
bruxas política. Foi feita para prejudicar a minha reputação para que eu
perdesse as eleições e, obviamente, isso não funcionou”, declarou. Trump chamou ao caso “uma arma do governo” e “um embaraço para Nova Iorque”.
Os promotores disseram hoje apoiar uma sentença sem pena, mas
repreenderam os ataques de Trump ao sistema legal durante e após o caso.
“O outrora e futuro Presidente dos Estados Unidos envolveu-se numa
campanha coordenada para minar a sua legitimidade”, disse o promotor
Joshua Steinglass.Em vez de mostrar
remorso, Trump “criou desdém” pelo veredicto do júri e pelo sistema de
justiça criminal, disse Steinglass, e os seus pedidos de retaliação
contra os envolvidos no caso, incluindo o pedido de expulsão do juiz,
“causaram danos duradouros à perceção pública do sistema de justiça
criminal e colocou os oficiais do tribunal em perigo”.O
advogado Todd Blanche, que acompanhou o arguido na sessão, argumentou
que “legalmente, este caso não devia ter sido apresentado”.