Trump assina ordem executiva para retirar Estados Unidos da OMS
21 de jan. de 2025, 10:23
— Lusa/AO Online
"A OMS defraudou-nos", acusou na
segunda-feira o republicano, ao assinar o decreto, poucas horas depois
de ter tomado posse, justificando a retirada com a diferença entre as
contribuições financeiras dos Estados Unidos e da China para a
organização.No texto, Trump pede que as
agências federais “suspendam a futura transferência de quaisquer fundos,
apoios ou recursos do governo dos EUA para a OMS” e orienta-as para
“identificar parceiros norte-americanos e internacionais de confiança”
capazes de “assumir as atividades anteriormente realizadas pela OMS".Os Estados Unidos são o principal doador e parceiro da OMS, uma organização da ONU sediada em Genebra, na Suíça.De
acordo com a OMS, os EUA contribuem para o financiamento da instituição
através de uma contribuição indexada ao seu Produto Interno Bruto, mas
também através de contribuições voluntárias.A
saída dos Estados Unidos poderá obrigar a OMS uma grande reestruturação
e prejudicar os esforços globais de saúde pública, incluindo a
vigilância e a resposta a surtos.A OMS desempenha um papel de coordenação particularmente central durante as emergências de saúde globais.Durante
o primeiro mandato, Donald Trump já tinha tentado retirar o país da
organização, que acusou de ser "controlada pela China".No
entanto, o sucessor, Joe Biden, cancelou a retirada antes de esta
entrar em vigor, uma vez que era obrigatório um período de um ano entre o
anúncio e a retirada efetiva."A decisão
de abandonar [a OMS] enfraquece a influência dos Estados Unidos, aumenta
o risco de uma pandemia mortal e torna-nos mais vulneráveis", disse Tom
Frieden, antigo dirigente do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças,
na administração de Barack Obama.Ao
retirarem-se da organização, os Estados Unidos perderão o acesso
privilegiado a dados importantes de vigilância epidémica, alertaram
vários especialistas, o que poderá prejudicar as capacidades de
prevenção de ameaças à saúde provenientes do estrangeiro.As
agências de saúde e as empresas farmacêuticas dos EUA também contam com
a OMS "para obter os dados necessários para desenvolver vacinas e
terapias", disse Lawrence Gostin, professor de Direito da Saúde Pública
na Universidade de Georgetown."Em vez de
sermos os primeiros a receber vacinas, ficaremos no final do pelotão. A
retirada da OMS inflige uma ferida profunda na segurança norte-americana
e na nossa vantagem competitiva em inovação", disse Gostin.A
retirada é ocorre numa altura em que a elevada circulação do vírus da
gripe aviária nos Estados Unidos está a aumentar os receios de uma
futura pandemia.O país registou no início de janeiro a primeira morte humana ligada ao vírus H5N1 .