Trump apropriou-se de festejos do 250.º aniversário dos EUA para benefício pessoal
Hoje 15:29
— Lusa/AO Online
O
relatório, intitulado "Da Vaidade à Loucura: Como a Casa Branca Enganou
o Povo Americano ao Privá-lo do seu 250º Aniversário", aponta para uma
rede de corrupção e fraude que explorou os eventos comemorativos da
independência.Em 2016, o Congresso criou a
Comissão America250 e uma fundação sem fins lucrativos e apartidária,
chamada Fundação America250, para planear as comemorações nacionais de
forma imparcial e garantir que estas chegavam a todos os cidadãos.Quando
a liderança da America250 resistiu à pressão da Casa Branca para
interferir na organização dos eventos, a administração Trump criou a
Freedom250 como alternativa à fundação oficial.Segundo
o relatório, alguns doadores que pretendiam contribuir financeiramente
para a America250 foram redirecionados para a organização da Casa
Branca, que lhes forneceu os números de encaminhamento e de conta
bancária desta última.Para proteger a identidade dos denunciantes que cooperaram com a investigação, o relatório não revela os nomes dos doadores.Danielle
Alvarez, porta-voz da Freedom250, respondeu à publicação do "alegado
'relatório'", qualificando-o de "uma campanha difamatória partidária
orquestrada por políticos que preferem semear a divisão a celebrar o
250.º aniversário da América juntamente com o resto do país".Os
democratas do Congresso acusam a Freedom250 de tentar ainda privar a
America250 de financiamento, citando exemplos de aliados de Trump a
pressionar os doadores para desviarem fundos da iniciativa bipartidária,
de acordo com o The Washington Post.O
relatório alega ainda que alguns aliados de Trump tentaram desviar
fundos públicos destinados à America250, incluindo 75 milhões de dólares
atribuídos pelo Congresso. Trump deu
início a 24 de junho a uma vasta programação que assinala o 250.º
aniversário da Independência, com um comício na inauguração da "Grande
Feira Estadual Americana" no National Mall, um amplo parque no centro da
capital federal norte-americana, onde estão monumentos como o Lincoln
Memorial ou o Washington Monument.O
evento pretende ser uma montra para todos os estados e territórios
norte-americanos. Mas, apenas alguns dias antes do início da Feira,
vários estados recusaram-se a participar.Pelo
menos sete estados governados por democratas optaram por não enviar
representantes oficiais à "Grande Feira Estadual Americana" e alguns
expressaram preocupação com a possibilidade do evento estar a tornar-se
mais partidário do que o anunciado. Massachusetts,
Carolina do Norte, Washington, Illinois, Oregon e Connecticut alegaram
restrições orçamentais como justificação para não participarem, segundo o
portal The Hill, que noticiou ainda que as autoridades do turismo do
Maine recusaram o convite devido a compromissos de agenda.Diversos
artistas também cancelaram a sua participação nas festividades no
National Mall, após apontarem ligações do evento com a Casa Branca
(presidência norte-americana). Entre os
que abandonaram o cartaz estão o cantor de 'rock' Bret Michaels,
vocalista da banda Poison, bem como as bandas Alabama, The Marshall
Tucker Band, The Oak Ridge Boys e o músico 'country' Mark Wills. O
America250, iniciativa bipartidária, realizará os seus próprios
eventos, com comemorações em Nova Iorque, Filadélfia e Califórnia, e
festas de rua por todo o país. Ainda antes
da inauguração da "Grande Feira Estadual Americana", Donald
Trump comemorou o seu 80.º aniversário na Casa Branca, em 14 de
junho, com um evento de artes marciais mistas 'Ultimate Fighting
Championship' (UFC), o qual procurou associar também às comemorações dos
250 anos da Independência.Já para 04 de
julho, Dia da Independência, Donald Trump planeia realizar o comício
político "mais espetacular de sempre" em Washington."Teremos
o comício mais espetacular de sempre por TRUMP, uma HOMENAGEM À
AMÉRICA", declarou Trump na rede Truth Social e recorrendo mais uma vez à
escrita em maiúsculas para enfatizar a sua mensagem. A celebração do 04 de julho, marcada por grandes fogos de artifício no coração da capital federal, é tradicionalmente apolítica.O
único pedido do grupo Freedom 250 à Pyrotecnico, empresa responsável
pela criação do espetáculo de pirotecnia, foi que superasse o recorde
das Filipinas de 2016 para a maior queima de fogos de artifício da
história, de acordo com o jornal USA Today.