Trump anuncia recandidatura à Presidência dos EUA para "trazer a América de volta"
16 de nov. de 2022, 10:23
— Lusa/AO Online
"A fim de
tornar a América grande e gloriosa novamente estou a anunciar esta noite
a minha candidatura à Presidência dos Estados Unidos", disse o
bilionário ao ser aplaudido por uma multidão na sua mansão em
Mar-a-Lago, na Florida."Nunca houve um
movimento como este no mundo, que compita com o que nós conseguimos
fazer. O regresso da América começa agora", acrescentou. Trump
entrou numa luxuosa sala repleta de apoiantes ao lado da mulher,
Melania Trump, tendo sido apresentado como o "próximo Presidente dos
Estados Unidos da América".Rodeado de
bandeiras norte-americanas e faixas com o seu icónico 'slogan' de
campanha 'Make America Great Again' [Tornar a América Grande de Novo, na
tradução para português], o magnata recordou o primeiro mandato de
forma idílica, descrevendo esse período como um país em paz, próspero e
respeitado no cenário internacional, e exagerando na descrição das suas
conquistas enquanto Presidente.“Estou a
concorrer porque acredito que o mundo ainda não viu a verdadeira glória
que esta nação pode ter. Vamos novamente colocar a América em primeiro
lugar”, disse.Ao mesmo tempo que prometia
"unidade", Trump indicou que derrotará "os democratas radicais de
esquerda que estão a tentar destruir o país por dentro”.O
republicano prometeu assim que o atual Presidente "não passará mais
quatro anos" na Casa Branca: "Joe Biden personifica os fracassos da
esquerda e a corrupção de Washington”, acusou o ex-Presidente."Eu
não precisava disto, tenho uma vida boa e tranquila, mas amamos o nosso
país e temos de salvá-lo", afirmou, referindo-se à sua recandidatura.Trump
aproveitou ainda para acenar ao “fantástico” povo latino e hispânico,
de quem disse esperar conseguir mais votos, apesar da polémica
construção do muro na fronteira com o México.Uma
hora depois de ter iniciado o discurso e já perto do fim, o magnata
pediu a eliminação de todas as votações antecipadas, votações à
distância e o uso urnas eletrónicas: “Apenas cédulas de papel”,
defendeu.Trump também exigiu mais uma vez
que todos os votos fossem contados na mesma noite da eleição, apesar de
os Estados Unidos nunca terem contado todos os votos na noite do
sufrágio numa eleição moderna, segundo o jornal The New York Times.Momentos
antes deste anúncio público, Trump já havia formalizado a terceira
candidatura à Presidência, com um documento enviado à Comissão Eleitoral
Federal norte-americana. Donald Trump tornou-se assim o primeiro político a oficializar a candidatura às eleições presidenciais de 2024.O
anúncio de Trump acontece num momento em que crescem sinais de
relutância dentro do Partido Republicano em ver Trump regressar a uma
corrida presidencial, já que muitos candidatos que apoiou nas eleições
intercalares saíram derrotados nas disputas com os democratas.Os
republicanos esperavam uma “onda vermelha” (referência à cor do
partido) que lhes daria grandes vitórias nas corridas para governadores e
para o Congresso.Em vez disso, os
republicanos perderam a oportunidade de ter a maioria no Senado e para
isso contribuiu a perda de uma cadeira crucial na Pensilvânia, após o
Democrata John Fetterman ter derrotado o médico celebridade apoiado por
Trump, Mehmet Oz.O anúncio da
recandidatura de Trump - que já passou por dois processos de destituição
- surge também num momento em que o republicano continua envolvido em
múltiplas investigações políticas e criminais, como é o caso do ataque
ao Capitólio e dos documentos confidenciais que mantinha na sua mansão
em Mar-a-Lago.Contudo, outros possíveis
candidatos republicanos já surgem no horizonte, como o governador da
Florida, Ron DeSantis, ou o ex-vice-presidente norte-americano Mike
Pence, ambos ex-aliados de Trump, que agora estão de costas voltadas por
diferentes razões.Do lado democrata,
também o atual Presidente, Joe Biden, que derrotou Trump em 2020, já
informou que tenciona recandidatar-se em 2024, mas afirmou na semana
passada que tal resultará de uma "decisão familiar" que deverá ser
tomada "no início do próximo ano".