Tripulantes exigem afastamento de diretor-geral da easyJet das negociações laborais
5 de mai. de 2023, 16:49
— Lusa/AO Online
“Além
da lamentável intervenção do diretor-geral” no parlamento fomos
“surpreendidos pela notícia de que o mesmo, na Base de Faro, quebrou uma
vez mais a confidencialidade inerente às negociações e revelou a última
proposta da easyJet aos tripulantes”, lamentou a estrutura sindical.“Mais
grave ainda, apresentou propostas de algumas situações laborais, das
quais nem sequer deu conhecimento ao sindicato - o seu interlocutor
direto”, disse o SNPVAC, acusando o diretor-geral de adotar “práticas
avessas à intervenção sindical, tão características de outras empresas
do setor”.O sindicato disse ainda que o
responsável, “despudoradamente, imputou ao sindicato a intenção de
encerramento da Base de Faro quando, na véspera” questionados pela
estrutura, disse o SNPVAC, “afirmaram perentoriamente que essa questão
não estava a ser equacionada”.“Entendemos
que num processo em que há diferendo entre as partes, atitudes como
estas não conduzirão, por certo, a bom porto, nem contribuem para
soluções consensuais”, referiram, destacando que “provocar indignação e
descontentamento aos tripulantes, não é, nunca foi, e jamais será o
caminho certo para a paz social”. “Exigiremos
à empresa a necessidade de cessar, de imediato, este tipo de atuação,
salvo se o seu intento for o de agudizar e extremar o diferendo em
curso”, salientaram, destacando que “será condição imperativa o
afastamento do diretor-geral, do processo de negociação”.O
diretor-geral da Easyjet assumiu na quarta-feira que a empresa está
empenhada em "melhorar as condições" dos seus trabalhadores em Portugal,
mas pediu "bom senso" para garantir a sustentabilidade da operação."Estamos
empenhados em melhorar as condições de todos os nossos colaboradores em
Portugal, mas temos de continuar a usar o bom senso para que este
projeto possa continuar e compreendemos que existe quem não queira que
isto aconteça, quem exige que não continue e que não cresça", disse José
Lopes na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão.De
acordo com o 'country manager' da Easyjet para Portugal, a empresa
afasta o que disse terem sido as propostas apresentadas pelos
sindicatos, com aumentos iguais ou superiores a 60%.Na
mesma comissão, numa audição realizada mais cedo, o SNPVAC assinalou
que os trabalhadores da Easyjet em Portugal recebem cerca de menos 60%,
em média, que os restantes trabalhadores da empresa na Europa.Ana
Dias, diretora do sindicato, registou que o SNPVAC não pretende
aumentos que igualem esses valores, mas pede "um aumento que, pelo
menos, acompanhe o crescimento da Easyjet aqui em Portugal".Perante
estas declarações, José Lopes disse que a empresa já apresentou "quatro
propostas diferentes", contra duas do sindicato, e que uma delas
consagra oscilações em várias modalidades entre os 18% e os 40%."Continuam
nestes valores que são completamente irrealistas e que põem em causa o
futuro da nossa empresa em Portugal", detalhou o 'country manager' da
Easyjet, que remeteu para as declarações do sindicato na audição
anterior."Ainda há pouco, na audição
anterior, ouvi dizer que o SNPVAC não quer aumentos de 60%, quer
aumentos relacionados com o aumento do custo de vida, então assinamos já
o contrato", garantiu José Lopes.De
acordo com o gestor, do lado da Easyjet "essa abertura existe", e
remeteu para o Acordo de Empresa, que tem "uma proposta de mais 8% no
primeiro ano e na ordem dos 20% a três anos, bem acima daquilo que é a
inflação"."Nós queremos continuar a
melhorar as condições das pessoas que trabalham connosco, se não o
fizéssemos não conseguíamos crescer mais do dobro desde a pandemia para
cá", garantiu o responsável da empresa.Uma
destas propostas contempla, segundo o responsável, aumentos entre os
18% e os 30% no caso dos contratos a tempo completo e entre os 29% e os
40% nos casos dos contratos a tempo parcial, a três anos.