Tripulantes de cabine rejeitam proposta da easyJet e ameaçam com greve
9 de mar. de 2023, 18:23
— Lusa
Num
comunicado aos associados, o SNPVAC indicou que hoje, numa
assembleia-geral de emergência, “a proposta da easyJet foi chumbada por
unanimidade”, tendo os profissionais mandatado a organização para
“sempre com o objetivo de alcançar uma base de acordo na negociação do
AE/CLA [acordo de empresa/contrato coletivo] com a easyJet, promover
todas as diligências e recorrer a todos os meios legais adequados,
incluindo a greve, para salvaguardar os interesses dos tripulantes de
cabine”.Na sua fundamentação para avançar
com a iniciativa, o SNPVAC recordou a recuperação do setor nos últimos
anos, depois da pandemia, lembrando que em Portugal, os tripulantes da
easyJet "sempre tiveram uma postura séria de compreensão para as
necessidades operacionais da empresa ao longo dos anos”, tendo votado
“unanimemente quando a empresa pediu um auxílio, aceitando congelar as
suas condições de trabalho por três anos”.No
entanto, indicou o SNPVAC, “durante a pandemia a easyJet decidiu apoiar
com ‘top ups’ bem superiores aos de Portugal a alguns países como a
Alemanha e UK [Reino Unido], que por sua vez já tinham apoios bem
maiores do Estado”.O sindicato apontou
ainda que, “aquando da retoma da operação, a easyJet decidiu por si
ajudar” os “colegas espanhóis com uma garantia mínima, quando os
tripulantes em Portugal passaram dificuldades financeiras” e que “as
bases e as rotas portuguesas estão entre as mais rentáveis na rede”.“Devido
à conjuntura económica, os trabalhadores da easyJet têm perdido poder
de compra ao longo dos últimos três anos”, salientaram, destacando que
“o aumento do custo de vida asfixia os trabalhadores e põe em causa o
bem-estar e conforto das suas famílias”.“Nos
últimos dois anos, os tripulantes de cabine tiveram de lidar com
experiências que ninguém previa, encontrando-se na linha da frente mesmo
em períodos críticos”, disse ainda o SNPVAC, garantindo que “noutros
países e bases onde a empresa não apresenta o mesmo nível de
rentabilidade apresentado em Portugal, os colegas obtiveram aumentos
significativos” e que “nesses países foram negociados acordos durante o
verão, de maneira a proteger a estabilidade de horário dos
trabalhadores”.No comunicado, o SNPVAC
defendeu que os tripulantes de cabine da easyJet “não podem continuar a
permitir que a empresa adote uma postura de indiferença, quanto aos
problemas da classe há muito identificados”, garantindo que se “gerou um
clima de tensão e desagrado pelo longo impasse na resolução dos
diversos diferendos laborais”.Para o
sindicato, “não é tolerável o impasse a que se chegou nas negociações do
AE/CLA em curso, as quais se podem prolongar indefinidamente no tempo”,
assegurando que os profissionais em Portugal “desejam ver a sua
lealdade e produtividade mostradas para com a empresa reconhecidas”.Contactada
pela Lusa, fonte oficial da easyJet disse que a transportadora “leva
muito a sério as suas responsabilidades como empregador e emprega toda a
sua tripulação ao abrigo de contratos locais, acordados com os
sindicatos e em conformidade com a legislação local relevante, pelo que
não é possível comparar os termos e condições entre diferentes
jurisdições”.A empresa disse ainda que
graças aos “recentes investimentos no mercado”, contratou “um número
significativo de colaboradores nos últimos meses” e continua “a receber
um elevado número de candidaturas para funções de tripulantes de cabine
em Portugal, o que é uma prova das condições competitivas” que oferece,
garantiu.“Estamos empenhados em trabalhar
de forma construtiva com os representantes dos nossos funcionários para
abordar as suas preocupações com o objetivo de assinar um acordo
sustentável”, rematou.A empresa recordou
que atualmente, em Portugal, tem 19 aviões baseados nos aeroportos
portugueses e emprega mais de 750 funcionários.