Tripulantes de cabine da Ryanair em Ponta Delgada com contratos suspensos
19 de jun. de 2020, 11:58
— Lusa/AO Online
O
Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) refere,
segundo uma nota de imprensa, que os tripulantes de cabine notificados
“foram exatamente os mesmos que não assinaram a proposta de contrato de
trabalho ilegal enviada pela Ryanair nos últimos dias”.A
proposta pretendia que “abdicassem dos créditos laborais anteriores a
2018" e "aceitassem uma redução do seu vencimento abaixo do vencimento
mínimo nacional ilíquido".A proposta da
operadora aérea irlandesa previa também uma “autorização prévia para que
pudessem ser transferidos para qualquer outra base do mundo em que a
companhia opera, sem qualquer compensação para o efeito”.Na
sequência deste cenário, o SNPVAC solicitou uma audiência, com “caráter
de urgência”, ao Governo Regional dos Açores, “não só para denunciar
esta situação, bem como tentar entender qual a posição da companhia
aérea irlandesa no arquipélago, dado que a empresa recebeu, há
relativamente pouco tempo, um milhão de euros do executivo açoriano para
promover as ilhas no Reino Unido".“Após
semanas de ameaças, a companhia aérea 'low cost’ irlandesa, com quatro
bases em Portugal, passa das palavras aos atos. Tememos que esta
suspensão da prestação de serviços se alastre aos tripulantes de cabine
nas mesmas condições nas outras bases em que a Ryanair opera em
Portugal, provocando uma dispensa de centenas de trabalhadores”, declara
Ricardo Penarroias, da direção do SNPVAC.Para
o sindicato, esta “é uma forma camuflada de despedir trabalhadores
durante o período de ‘lay-off, apesar de, segundo a lei em vigor, não
ser possível efetuar despedimentos durante, pelo menos, 60 dias após
terminar este apoio do Governo português”.De
acordo com o SNPVAC, tal como aconteceu no início do ano na base de
Faro, estes contratos com a ‘Crewlink’ “já não são válidos, pois, ao fim
de dois anos, os trabalhadores em questão já deveriam estar integrados
nos quadros da Ryanair”.“Sendo a
‘Crewlink’ uma empresa de trabalho temporário, a grande maioria dos seus
trabalhadores tem contratos há quase 10 anos, permanecendo com um
vínculo precário”, frisa o sindicato.A
Ryanair assegura atualmente ligações aéreas dos Açores, de Ponta Delgada
e da Terceira para Lisboa e Porto, bem como para Londres.