Tripulantes de bordo “muito preocupados” com processo de venda da Azores Airlines
Hoje 08:57
— Nuno Martins Neves
O Sindicato Nacional de Pessoal de Voo de Aviação Civil (SNPVAC) está
“muito preocupado” com o processo de privatização de, pelo menos, 75% da
Azores Airlines, quando faltam pouco mais de quatro meses para a
conclusão da venda direta. Em declarações ao Açoriano Oriental, o
presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, diz que é importante saber o
futuro da companhia aérea regional a 1 de janeiro de 2027.“Sabemos
que o processo tem de estar finalizado até ao final do ano, [mas] não se
ouve possíveis interessados, não se sabe, pelo menos de forma oficiosa,
de ninguém que tenha questionado sobre a empresa”, afirma o
sindicalista.Ricardo Penarroias lembra que o prazo dado pela
Comissão Europeia termina a 31 de dezembro, “que está já aí à porta”, e
que o sindicato vê poucas movimentações, quer da parte do Conselho de
Administração da Azores Airlines, quer da parte do Governo Regional dos
Açores.“Estamos em meados de julho, sabemos que em agosto pouco ou
nada se vai avançar neste processo, e 31 de dezembro está aí à porta.
Não estou a dizer que seja fundamental haver um interessado, mas acima
de tudo que haja, para dia 1 de janeiro de 2027, um futuro para os
trabalhadores do Grupo SATA”, assinala.A entrevista veio a propósito
da proposta de revisão do Acordo de Empresa, apresentado pelo conselho
de administração da transportadora aérea açoriana, que visava, em grosso
modo, suspender durante três anos algumas cláusulas do referido acordo,
como as alterações de escalas, o regime de folgas em voos de longo
curso e a composição das tripulações. Mas o SNPVAC recusou em
negociar com a Azores Airlines, por entender que “não é o momento” para
rever o Acordo de Empresa em vigor.“Por princípio, entendo que haver
alterações muito profundas no Acordo de Empresa nesta fase não é
benéfico, pois não sabemos como será a operação daqui a seis meses.
Algumas medidas que estaríamos a flexibilizar agora teriam impacto na
operação atual, mas ninguém nos diz que tenham o mesmo impacto daqui a
seis, 12 meses”, assinala.E o sindicalista vai mais longe, afirmando
que bastaria à Azores Airlines “uma maior planificação e melhor
aproveitamento os tripulantes de cabine, de forma adequada, que não
havia necessidade de suspender as cláusulas”. Isto porque, as cláusulas
que a companhia quer suspender, “mais do que reduzir ao nível
financeiro, tinha sobretudo uma redução operacional”.Apesar de
afirmar que continuam sempre disponíveis para ser solução, “mas de forma
construtiva”, Ricardo Penarroias afirma que a proposta agora
apresentada pelo conselho de administração é uma “questão menor”, quando
comparado com o processo de privatização que está em curso.“Aquilo
que eu sinto, é que estamos a querer encontrar uma discussão - e sei que
na ilha vai haver quem aponte o dedo ao sindicato -, mas a verdadeira
questão é onde estão os interessados, o que é que o Governo Regional
está a fazer para que haja futuro na companhia no dia 1 de janeiro”,
finalizaContactado pelo Açoriano Oriental, o Sindicato dos Pilotos
de Aviação Civil disse estar a analisar o documento apresentado pela
companhia, mas que não tomará qualquer posição no momento.A Azores
Airlines tem até 31 de dezembro deste ano para concluir o processo de
privatização de, pelo menos, 75% do capital social da empresa.