Trio de presidências da UE que Portugal integra garante que será “incansável”
16 de jun. de 2020, 10:46
— Lusa/AO Online
As prioridades do trio de presidências do qual
Portugal faz parte – assumirá a presidência do Conselho da UE no
primeiro trimestre de 2021, depois da Alemanha e antes da Eslovénia –
constam do programa conjunto que será apresentado e adotado na
terça-feira no Conselho de Assuntos Gerais e giram em torno de uma “ação
urgente, decisiva e global” imposta pelo “desafio sem precedentes”
colocado pela pandemia que paralisou a Europa (e o Mundo) durante meses.“As
três presidências estão prontas a fazer tudo o que é necessário para
reforçar a resiliência da Europa, proteger os nossos cidadãos e
ultrapassar a crise, preservando simultaneamente os nossos valores
europeus e o nosso modo de vida”, lê-se no programa, que começará a ser
implementado já a partir de 01 de julho pela Alemanha, que sucederá à
Croácia na presidência do Conselho da UE.O
documento indica que, “embora já tenham sido tomadas muitas medidas
para fazer face à crise durante a presidência croata [no primeiro
semestre deste ano], muito há ainda a fazer, em especial no que respeita
ao controlo da pandemia e ao regresso das sociedades e economias
europeias à sua plena funcionalidade, através do fomento de um
crescimento sustentável e inclusivo, integrando, nomeadamente, a
transição verde e a transformação digital, e tirando todos os
ensinamentos da crise e abordando as suas consequências
socioeconómicas”. “Para o efeito, as três
presidências estão determinadas, como prioridade geral, a implementar
todas as medidas adequadas ao serviço de uma recuperação robusta da
economia europeia, em conformidade com uma estratégia de crescimento
sustentável e inclusiva, que tenha em conta o objetivo de alcançar a
neutralidade climática até 2050 e que contemple os impactos sociais
significativos e as dimensões humanas”.Para
essa recuperação robusta, Berlim, Lisboa e Ljubljana consideram
fundamental um acordo atempado em torno do Quadro Financeiro Plurianual
2021-2027, argumentando que o orçamento plurianual da União “será um
instrumento-chave para apoiar uma recuperação duradoura” da Europa e,
“juntamente com o Fundo de Recuperação, constituirá a resposta ambiciosa
de que a Europa necessita”.“O trio
compromete-se a trabalhar incansavelmente para obter a aprovação do
Parlamento Europeu e a finalizar as propostas setoriais pendentes o mais
rapidamente possível, seguindo ao mesmo tempo com firmeza o mandato
conferido pelo Conselho Europeu. O trio fará tudo o que estiver ao seu
alcance para evitar atrasos desnecessários na implementação do Quadro
Financeiro Plurianual 2021-2027 e dos seus programas conexos. A adoção
atempada de legislação relativa a todos os investimentos e outras
políticas relevantes é de importância crucial para dar uma resposta
adequada e enérgica às consequências da pandemia da covid-19 e a outros
objetivos estratégicos e desafios contínuos da União”, advertem desde
já.Esta mensagem será adotada precisamente
na semana em que os chefes de Estado e de Governo dos 27 iniciarão as
negociações em torno do Fundo de Recuperação e do orçamento plurianual
2021-2027, numa cimeira por videoconferência a ter lugar na próxima
sexta-feira.Alemanha, Portugal e Eslovénia
defendem que o plano de recuperação “deve basear-se na solidariedade,
coesão e convergência” e deve ser “flexível, ágil e evolutivo”.As
três presidências garantem que “farão tudo o que estiver ao seu alcance
para restaurar e aprofundar o mercado único, fazer avançar a transição
verde e a transformação digital, lutar pela soberania digital, assegurar
a autonomia estratégica da UE através de uma política industrial
dinâmica, apoiar as PME e as empresas em fase de arranque, analisar o
investimento direto estrangeiro, construir infraestruturas mais
resistentes, em especial no setor da saúde, e produzir bens críticos na
Europa para reduzir a dependência excessiva em relação a países
terceiros”, em conformidade com as principais recomendações do roteiro
para a recuperação.“O trio está igualmente
empenhado na implementação dos princípios do pilar europeu dos direitos
sociais”, indica o programa, que, sendo vago a nível de eventos
previstos para o próximo ano e meio, adianta desde já que está prevista
uma “Cimeira Social da UE, em maio de 2021, a convite do presidente do
Conselho Europeu e acolhida pela presidência Portuguesa”.Entre
outros grandes eventos de calendário, o programa aposta ainda na
celebração, no próximo mês de outubro, da cimeira UE-União Africana,
apontando que, juntamente com as reuniões ministeriais entre as duas
partes, constituirá uma oportunidade importantes para o desenvolvimento
das relações e da cooperação com África. “Em
estreita cooperação com o Alto Representante, as três presidências
assegurarão que, nas suas relações com África, a UE trabalhe no sentido
da concretização das prioridades comuns acordadas na Cimeira UE-União
Africana, incluindo a paz e a segurança sustentáveis no continente
africano, bem como o crescimento sustentável e inclusivo, o
investimento, a criação de emprego e o desenvolvimento humano,
procurando simultaneamente soluções conjuntas e positivas para as
questões do clima, da migração e da mobilidade”, lê-se.O
programa de Alemanha, Portugal e Eslovénia até final de 2021 será
apresentado aos restantes Estados-membros no Conselho de Assuntos Gerais
que se realizará por videoconferência na terça-feira, cerca de 72 horas
antes do arranque das negociações ao mais alto nível em torno do
orçamento da União até 2027 e do Fundo de Recuperação, que entrarão
certamente pela presidência alemã, dado os próprios líderes assumirem
que é irrealista esperar um compromisso já na sexta-feira.