Trinta e seis eurodeputados e 61 organizações querem “matar o dragão do lixo plástico” na UE
29 de set. de 2021, 11:41
— Lusa/AO Online
Para
assinalar a divulgação deste manifesto contra o comércio de resíduos de
plástico, as associações promotoras da iniciativa – o movimento Break
Free From Plastic (Liberte-se do Plástico, em tradução livre), a aliança
Rethink Plastic alliance (Repensar o Plástico), a Agência de
Investigação Ambiental da UE, o Gabinete Europeu do Ambiente e a rede
Zero Waste Europe (Zero Resíduos na Europa) – expõem hoje um dragão de
três metros feito de resíduos plásticos em frente ao Conselho e à
Comissão Europeia, no bairro europeu, em Bruxelas.E,
até ao momento, “36 eurodeputados e 61 organizações em todo o mundo
concordam que agora é o momento de o matar”, ao dragão que representa o
lixo resultante do comércio de resíduos de plástico, assinalam estas
entidades promotoras em comunicado.Em
causa está um manifesto hoje publicado no qual “os eurodeputados e as
organizações de apoio concordam que a UE deve abordar e resolver esta
questão, impondo uma proibição das exportações de resíduos plásticos
fora das suas fronteiras e assegurando que a gestão intra-UE dos
resíduos plásticos esteja em total conformidade com uma verdadeira
economia circular e os acordos internacionais em vigor”, defendem.Entre
os signatários estão os eurodeputados portugueses Isabel Carvalhais
(PS) e Francisco Guerreiro (independente), bem como a Quercus,
organização não-governamental portuguesa para o ambiente.No
manifesto, lê-se que “o comércio de resíduos plásticos cria danos
imensuráveis para a sociedade, a saúde e o ambiente que são sentidos de
forma desproporcionada em todo o mundo e isso tem vindo a acontecer há
décadas”.“Não podemos ter como objetivo
alcançar uma economia circular verdadeiramente segura com reduções
ambiciosas na utilização de recursos, enquanto continuamos a descarregar
o fardo dos nossos resíduos plásticos noutros locais”, refere o
documento, que apela “às instituições da União Europeia para que
legislem, através do Regulamento de Transferência de Resíduos, uma
proibição das exportações de resíduos plásticos da União e uma gestão
intra-UE dos resíduos plásticos europeus que esteja de acordo com uma
verdadeira economia circular”.Segundo
dados divulgados pelas organizações promotoras, em 2019, a UE transferiu
mais de 1,7 milhões de toneladas de plástico para países terceiros sob a
forma de resíduos, na sua maioria para Turquia, Malásia e China.Já
informações da Agência de Investigação Ambiental da UE revelam que, nos
últimos 30 anos, milhares de milhões de toneladas de resíduos plásticos
foram legalmente comercializados em todo o mundo, sendo a UE um dos
maiores exportadores, nomeadamente seis dos seus Estados-membros
(Alemanha, Holanda, França, Bélgica, Itália e Eslovénia).Nas
vésperas de a Comissão Europeia apresentar uma nova proposta para o
Regulamento da UE relativo às transferências de resíduos, exige-se então
limitações às transferências para fora da União, medidas para colmatar
efeitos adversos para ambiente e saúde e um mais eficaz sistema de
inspeção.O manifesto será entregue esta tarde ao comissário europeu para o Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevičius.