Tribunal Superior Eleitoral proíbe armas perto das mesas de votos
Eleições Brasil
31 de ago. de 2022, 08:51
— Lusa/AO Online
Numa decisão aprovada por unanimidade pelos
sete membros da mais alta autoridade eleitoral, o tribunal decidiu que
tanto civis como militares, embora tenham o direito de transportar
armas, não podem entrar nas assembleias de voto armados ou circular
dentro de um perímetro de pelo menos 100 metros dos locais de votação.A
decisão é válida tanto para a primeira volta a 02 de outubro como para
uma possível segunda volta a 30 do mesmo mês, e isenta apenas os membros
das forças de segurança mobilizados para as eleições ou que são
convocados por uma autoridade eleitoral.De
acordo com a decisão, a regra vai aplicar-se durante 48 horas antes da
abertura das mesas de voto, durante todas as eleições e no dia seguinte
ao sufrágio.Segundo o presidente do
tribunal, Alexandre de Moraes, as pessoas que violam a decisão podem ser
detidas e julgadas tanto por porte ilegal de armas como por crimes
eleitorais.A proibição foi determinada
após uma análise do clima atual para as eleições presidenciais,
legislativas e regionais de outubro, bipolarizada entre apoiantes do
atual Presidente, Jair Bolsonaro, e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da
Silva.O líder de esquerda, que governou o
Brasil entre 2003 e 2010, é o favorito para ganhar as eleições, com
cerca de 45% dos votos, à frente dos 32% que as sondagens atribuem a
Bolsonaro, que procura a reeleição.A
tensão eleitoral forçou as autoridades a reforçar a segurança dos
candidatos e os governos regionais a solicitar o apoio das forças
armadas para garantir a ordem pública em diferentes locais considerados
conflituosos.O ambiente eleitoral também
foi afetado pelos ataques insistentes do chefe de Estado ao sistema de
votação eletrónica do Brasil, que considera suscetível de fraude, e
pelas acusações da oposição de que Bolsonaro está a preparar o terreno
para um possível golpe de Estado se for derrotado.O
magistrado Ricardo Lewasdoski, instrutor no caso, citou a bipolarização
política como justificação da decisão e referiu-se ao aumento na
concessão de licenças para possuir e portar uma arma devido à política
de flexibilização da legislação sobre a questão.Bolsonaro
flexibilizou as regras de acesso a armas e munições e enfraqueceu os
mecanismos de controlo e monitorização do porte e posse de armas."As
armas e os votos são elementos que não se misturam. A proibição de
pessoas armadas nas mesas de voto é necessária para proteger o exercício
do sufrágio contra qualquer ameaça, concreta ou potencial,
independentemente da sua origem", sublinhou.