Tribunal Europeu Direitos Humanos ordena libertação do opositor russo
Navalny
17 de fev. de 2021, 16:02
— Lusa/AO Online
O texto indica que o
Tribunal pede à Rússia “a libertação do requerente. Esta medida
aplica-se com efeito imediato” e considera que o não cumprimento desta
decisão implica uma quebra na convenção europeia de direitos humanos. Na
deliberação de hoje, o TEDH, o braço judicial do Conselho da Europa,
recorreu ao regulamento 39 do seu código ao citar a “existência de risco
para a vida do requerente”. O ministério
da Justiça russo avisou através de uma declaração divulgada pela agência
noticiosa Tass que a exigência do tribunal europeu representa uma “rude
interferência no sistema judicial” da Rússia e “atravessou uma linha
vermelha”. O comunicado enfatiza ainda que “o TEDH não pode substituir-se a um tribunal nacional nem anular o seu veredicto”. Os
países ocidentais, em particular os Estados Unidos e a União Europeia,
têm apelado à libertação do opositor – detido desde o seu regresso à
Rússia em 17 de janeiro após uma suposta tentativa de envenenamento no
verão passado e um longo período de convalescença na Alemanha –, e
condenaram a repressão de manifestações no final de janeiro e início de
fevereiro. A Rússia tem rejeitado as
acusações sobre o envolvimento do Kremlin no envenenamento de Navalny
com um agente neurotóxico e considera as críticas ocidentais como uma
ingerência nos seus assuntos internos. A 02 de fevereiro, a justiça russa condenou Navalny, 44 anos, a uma pena
de três anos e meio de prisão ao tornar efetiva uma sentença suspensa em
2014, um julgamento considerado arbitrário pelo TEDH. No
entanto, a sentença impôs que fossem descontados os dez meses em que
Navanly permaneceu em prisão domiciliária, devendo assim cumprir dois
anos e oito meses. Após a detenção de
Navalny, os seus apoiantes convocaram manifestações não autorizadas pela
sua libertação e que abrangeram mais de 140 cidades, reprimidas com
dureza pela polícia que deteve mais de 10.000 pessoas. Os
partidários de Navalny não têm previstos novos protestos no imediato,
após o chefe da sua equipa, Leonid Volkov, ter anunciado que as
convocatórias foram adiadas até à primavera e ao verão.