Tribunal Europeu dá razão a juízes que mandaram regressar a Itália migrantes enviados para Albânia
Migrações
1 de ago. de 2025, 16:13
— Lusa/AO Online
O caso remonta ao ano
passado, quando um tribunal de Roma declarou ilegal a detenção na
Albânia dos migrantes transferidos de Itália e ordenou o seu regresso,
argumentando que os países de origem destas pessoas, Bangladesh e Egito,
não podem ser considerados seguros.“Os
dois países de onde vêm os imigrantes, Bangladesh e Egito, não são
seguros”, afirmaram os juízes, lembrando que, segundo o acordo assinado
entre Roma e Tirana em 2023 para a criação na Albânia de dois centros de
gestão dos processos de migrantes, a transferência das pessoas
intercetadas nas costas italianas só pode acontecer se for provada a
existência de três condições: que sejam homens adultos, com boa saúde e
provenientes de países seguros.Em novembro
de 2023, o Governo ultraconservador italiano de Giorgia Meloni assinou
um acordo com o seu homólogo albanês, Edi Rama, para a abertura de dois
centros na Albânia, geridos por Roma, para lidar com os processos de
migrantes resgatados pela Itália no Mediterrâneo Central.Os
juízes basearam-se numa decisão do Tribunal de Justiça da União
Europeia (TJUE) segundo a qual os países da UE não podem declarar um
país inteiro seguro quando certas regiões ou certas categorias de
pessoas sejam de risco.Na sua decisão,
hoje publicada, o TJUE não contestou o direito de um Estado designar “um
país terceiro como país de origem seguro através de um ato
legislativo”, como fez o Governo italiano, mas não o pode fazer se o
país terceiro “não reunir, para determinadas categorias de pessoas, as
condições substantivas para tal designação”.Além
disso, esta designação deve ser “sujeita a uma revisão judicial
efetiva”, o que significa que a decisão final cabe ao juiz que decida
sobre um caso específico.“As fontes de
informação em que tal designação se baseia devem ser suficientemente
acessíveis, tanto ao requerente como ao tribunal competente”,
acrescentou o TJUE, referindo que os motivos que levam Roma a declarar
certos Estados como “países seguros” nem sempre são claros.A
lista de “países seguros” estabelecida pela Itália incluiu países como o
Bangladesh, a Tunísia e o Egito, onde a situação das minorias e dos
opositores é precária.