Tribunal declara prescrição de 11 crimes do processo
BES/GES
3 de out. de 2024, 12:53
— Lusa/AO Online
Segundo o despacho
assinado pela juíza Helena Susano, a que a Lusa teve acesso e avançado inicialmente pelo Observador, o ex-banqueiro viu cair
dois crimes de falsificação de documento e um de infidelidade da lista
de 65 crimes pelos quais tinha sido acusado pelo MP em 2020.Em
causa estão um crime de falsificação referente a um documento entre o
fim de 2013 e o início de 2014 com declaração imputada ao governo da
entidade Fonden, outro de falsificação de um contrato entre a sociedade
ES Tourism Europe e outra entidade, e um de infidelidade, por uso do BES
em dezembro de 2013 em operações com o BES Londres.O
levantamento dos crimes em risco de prescrição feito recentemente pelo
MP indica ainda que Salgado pode ver cair a 24 de novembro mais um
crime de falsificação e outros dois no final de dezembro. Já no primeiro
trimestre de 2025 prescrevem em janeiro mais três crimes de
falsificação de documento, um de infidelidade no final de fevereiro e
outros três de infidelidade até 28 de março.O
despacho da magistrada declara ainda a prescrição de três crimes (dois
de falsificação e um de infidelidade) de Francisco Machado da Cruz, de
um crime de infidelidade relativamente ao ex-administrador Morais Pires,
a Pedro Góis Pinto, a Etienne Cadosch e a Michel Creton, além de um
crime de falsificação de documento de Paulo Nacif Jorge, que assim não
irá a julgamento, uma vez que este era o único crime que lhe era
imputado.No entanto, há vários arguidos no
processo também denominado Universo Espírito Santo com mais crimes a
prescrever até ao final do primeiro trimestre de 2025, nomeadamente
Francisco Machado da Cruz, Amílcar Morais Pires, Pedro Góis Pinto, Pedro
Almeida e Costa, Cláudia Boal Faria, Etienne Cadosch, Michel Creton,
João Alexandre Silva e Nuno Escudeiro.O
julgamento do processo-crime Universo Espírito Santo vai arrancar no dia
15 de outubro, mais de uma década após o colapso do Grupo Espírito
Santo (GES), em agosto de 2014, e tem como principal arguido o
ex-presidente do BES Ricardo Salgado, que foi acusado de 65 crimes,
entre os quais associação criminosa, corrupção ativa, falsificação de
documento, burla qualificada e branqueamento.Considerado
um dos maiores processos da história da justiça portuguesa, este caso
agrega no processo principal 242 inquéritos, que foram sendo apensados, e
queixas de mais de 300 pessoas, singulares e coletivas, residentes em
Portugal e no estrangeiro.Segundo o Ministério Público, a derrocada do GES terá causado prejuízos superiores a 11,8 mil milhões de euros.