Tribunal da UE dá razão a Parlamento Europeu no veto a Puigdemont em 2019
26 de set. de 2024, 10:35
— Lusa/AO Online
Puigdemont
e Comín, dois dos protagonistas da tentativa de independência da
Catalunha de 2017, vivem desde esse ano na Bélgica para fugir à justiça
espanhola.Em 2019, foram eleitos
eurodeputados nas listas que o partido Juntos pela Catalunha (JxCat)
apresentou em Espanha, mas o então presidente do Parlamento Europeu,
Antonio Tajani, impediu-os de acederem à assembleia e aos respetivos
lugares.Tajani invocou que os nomes de
Puigdemont e Comin, apesar de terem sido declarados eurodeputados
eleitos pela Comissão Nacional de Eleições no dia das votações, não
constavam posteriormente da lista oficial enviada pelas autoridades
espanholas ao Parlamento Europeu (PE), por não terem feito, em Espanha, o
juramento de respeito pela Constituição exigida pelo país para
assumirem o cargo."O Presidente do
Parlamento Europeu não se podia afastar da lista dos deputados eleitos
que lhe tinha sido oficialmente notificada pelas autoridades espanholas.
Com efeito, o Presidente do Parlamento Europeu não dispõe de nenhuma
competência para fiscalizar a exatidão dessa lista, sob pena de violar a
repartição de competências entre a União e os Estados-Membros",
concluiu o TJUE, segundo um comunicado divulgado hoje pelo tribunal.Tajani
"limitou-se a fazer aquilo a que estava obrigado: registar a lista dos
deputados eleitos comunicada pelas autoridades espanholas", lê-se no
mesmo comunicado.Puigdemont e Comin
contestaram a decisão de Tajani, inicialmente, junto do Tribunal Geral
da União Europeia (TGUE), que já tinha também dado razão ao
ex-presidente do PE.Os eurodeputados recorreram depois para o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), uma instância superior.Puigdemont
e Comin acabaram, no entanto, por assumir os cargos de eurodeputados
meses mais tarde, por decisão do sucessor de Tajani na Presidência do
PE, David Sassoli, e na sequência de uma sentença de 2019 relacionada
com o caso de outro independentista catalão, Oriol Junqueras.Nas
mesmas eleições de 2019, o líder da Esquerda Republicana da Catalunha
(ERC), Oriol Junqueras, preso em Madrid desde 2017, foi também eleito
eurodeputado e impedido de assumir o cargo.O
TJUE considerou, meses mais tarde, que Junqueras deveria ter sido
reconhecido como eurodeputado e gozado da respetiva imunidade
parlamentar desde a proclamação dos resultados das eleições.Carles
Puigdemont, antigo presidente do governo regional da Catalunha, deixou
de ser eurodeputado este ano por não se ter candidatado nas eleições de
junho passsado. Já Antoni Comín voltou a ser eleito nas listas do Juntos
pela Catalunha.