Tribunal Constitucional declara inconstitucionais mais normas do imposto sobre a banca
20 de jun. de 2025, 16:56
— Lusa/AO Online
No
início do mês, já tinha sido noticiado que foi declarada
inconstitucional a norma deste imposto relativa ao cálculo do imposto no
primeiro semestre de 2020, por implicar retroatividade.O
acórdão agora consultado pela Lusa significa mais uma vitória para o
setor bancário (que desde início contestou este imposto considerando-o
discriminatório) e a decisão do TC é mais lata, já que é sobre várias
normas e que servem de base ao regime criado em meados de 2020."Em
face do exposto, decide-se declarar a inconstitucionalidade, com força
obrigatória geral, das normas contidas nos artigos 1.º, n.º 2, 2.º e
3.º, alínea a), do Regime que cria o Adicional de Solidariedade sobre o
Setor Bancário, contido no Anexo VI da Lei n.º 27-A/2020, de 24 de
julho, por violação do princípio da proibição do arbítrio, enquanto
exigência de igualdade tributária", lê-se no acórdão consultado pela
Lusa e disponível no 'site' do Tribunal Constitucional.Esta
decisão (datada de 03 de junho) teve vários votos contra (sendo
incluída a fundamentação de cada juiz vencido) e tem que ver com a
violação dos princípios da igualdade tributária e da capacidade
tributária.O acórdão considera
inconstitucionais normas que justificam este imposto como forma de
compensar pela isenção de IVA nas operações de crédito, que definem as
entidades sobre as quais incide este imposto e que definem a base de
incidência do mesmo.No ano passado, houve
três decisões de inconstitucionalidade do Tribunal Constitucional sobre
normas do adicional sobre o setor bancário mas relativas a processos
judiciais concretos, pelo que não tinham força obrigatória legal. Contudo,
com três decisões de inconstitucionalidade sobre a mesma norma, o
Ministério Público junto do Tribunal Constitucional (TC) passou a poder
requerer a inconstitucionalidade da norma e tal vem acontecendo.O imposto adicional sobre o setor bancário foi criado em 2020, aquando da crise da covid-19, para financiar a Segurança Social. Apesar
de muito contestado pela banca, que o considera um tratamento
discriminatório para o setor financeiro, este imposto tem-se mantido e
no Orçamento do Estado está previsto que este ano renda 40,8 milhões de
euros para os cofres públicos.Esta
quinta-feira, questionado pelos jornalistas no Luxemburgo, o ministro
das Finanças Governo disse estar a analisar a decisão do TC sobre o tema
para aferir o impacto na devolução do que tenha sido pago pelos bancos.“O
Governo, como qualquer Governo, cumpre e cumprirá aquilo que são as
ordens, as decisões dos tribunais, neste caso concreto, o Tribunal
Constitucional sobre o chamado adicional de solidariedade da banca. Nós
ainda estamos a analisar o acórdão, as suas implicações, qual é o
impacto que terá na devolução de imposto que tenha sido pago pelos
bancos”, disse Joaquim Miranda Sarmento.À
margem da reunião do Eurogrupo, no Luxemburgo, o responsável apontou que
“uma parte deste imposto foi efetivamente pago”, mas admitiu que “outra
parte, tendo havido recursos e contencioso, esteja apenas na forma de
garantia”.“Temos que fazer toda essa análise, mas não deixaremos de cumprir a decisão do Tribunal Constitucional”, garantiu.