Tribunal belga mantém Eva Kaili em prisão preventiva
Qatargate
23 de dez. de 2022, 13:04
— Lusa/AO Online
“A câmara do
conselho estendeu a prisão preventiva de E. K. [Eva Kaili] por um mês”,
destacou a procuradoria belga em comunicado, divulgado horas depois da
audiência realizada no tribunal em Bruxelas.Os advogados de Eva Kaili podem recorrer desta decisão, noticiou a agência France-Presse (AFP).A defesa da eurodeputada socialista grega tinha pedido hoje ao tribunal a sua libertação com pulseira eletrónica.“Pedimos
que Kaili seja colocada sob vigilância eletrónica com pulseira, [até
porque] participa ativamente na investigação e rejeita qualquer ato de
corrupção”, explicou o advogado. “Ela é
inocente, nunca foi corrompida”, garantiu o seu advogado grego, Michalis
Dimitrakopoulos, que viajou de Atenas para Bruxelas para assistir à
audiência e visitou a eurodeputada na quarta-feira, na prisão de Harem,
onde Kaili está há duas semanas.Sob a
acusação de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, a
polícia belga deteve vários suspeitos em 09 de dezembro, entre eles a
ex-vice-presidente do PE Eva Kaili, entretanto destituída do cargo e
retirada do grupo dos Socialistas & Democratas, e agora eurodeputada
não-inscrita.Também detidos foram o
companheiro de Kaili, Francesco Giorgi, e o ex-eurodeputado italiano
Pier Antonio Panzeri, numa operação que resultou na apreensão de malas
de dinheiro com um total de 1,5 milhões de euros. A
eurodeputada grega foi detida apesar de gozar de imunidade parlamentar
porque as autoridades belgas consideraram que tinha sido encontrada em
flagrante delito.O sindicalista italiano
Luca Visentini e o pai da ex-vice-presidente do Parlamento Europeu,
Alessandro Kailis, também foram detidos em 09 de dezembro, mas
libertados dois dias depois.Já o ‘lobista’
e secretário-geral da organização não-governamental No Peace Without
Justice (Sem Paz Não Há Justiça), Niccolo Figa-Talamanca, foi deixado em
liberdade, embora com obrigação de usar pulseira eletrónica.O
caso envolve também dois outros eurodeputados, o socialista belga Marc
Tarabella, cuja casa foi alvo de buscas sem que daí tenham resultado
acusações, mas que foi suspenso do seu partido na Bélgica, e o
socialista italiano Andrea Cozzolino, também suspenso do grupo
socialista do Parlamento Europeu.Os dois
garantiram ser inocentes, tendo Cozzolino tornado público que quer
testemunhar perante um juiz e que está disposto a renunciar à imunidade
parlamentar.Os advogados da política
grega, que é eurodeputada desde 2014 e era uma das 14 vice-presidentes
do Parlamento Europeu desde janeiro de 2022, têm criticado as inúmeras
fugas de informação, anunciando hoje que o Ministério Público belga
abriu uma investigação.Segundo informações
de meios de comunicação belgas e italianos como os jornais Le Soir e La
Republicca, Kaili confessou à polícia o seu envolvimento no esquema e
reconheceu que pediu ajuda ao pai para esconder o dinheiro que tinha em
casa.Giorgi, companheiro de Kaili, também
terá confessado estar envolvido no esquema, negando qualquer
responsabilidade da companheira e mãe da sua filha, enquanto Panzeri
terá reconhecido ter recebido pagamentos de 50 mil euros do Qatar e de
Marrocos em 2019, depois de ter abandonado o mandato de eurodeputado que
ocupou entre 2004 e 2019.