Três universidades portuguesas em consórcio ibérico para o envelhecimento saudável
26 de jul. de 2024, 11:20
— Lusa/AO Online
Em entrevista à agência
Lusa, Ana Leite Oliveira, investigadora do Centro de Biotecnologia e
Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa no Porto, falou
das duas grandes áreas do projeto – engenharia de órgãos e tecidos e a
medicina personalizada –, mas também da vontade de aproximação aos
órgãos de decisão e entidades reguladoras.“Vamos
tentar criar junto dos órgãos de decisão e das entidades reguladoras
alguma interação para que a ciência se aproxime mais da aplicação”,
disse Ana Leite Oliveira sobre o IBEROS+, sigla associada ao projeto
original e já em curso, o Instituto de Biofabricação em Rede para o
Envelhecimento Saudável.Constituído por
mais de 150 investigadores, este consórcio junta 14 entidades
público-privadas da região da Galiza, em Espanha, e Norte de Portugal:
cinco universidades, cinco centros de investigação e quatro empresas.Com
um financiamento de 2,2 milhões de euros pelo Programa Operacional de
Cooperação Transfronteiriça Interreg Espanha-Portugal e co-financiado
pelo FEDER, em Portugal são três as Universidades envolvidas: Católica,
Minho e Porto. Somam-se as espanholas de Santiago de Compostela e a de
Vigo.Coordenado pela Universidade de Vigo, o consórcio pretende trabalhar doenças associadas ao envelhecimento.O
plano de ação, lê-se num resumo enviado à Lusa, passa por encontrar
soluções para a escassez de doações de órgãos e tecidos, pelo
desenvolvimento de fármacos de baixo custo e em tempos reduzidos, pelo
compromisso ético de reduzir os ensaios em animais e pelo aprofundamento
do modelo de medicina personalizada, onde possa ser possível utilizar
tecidos organoides biofabricados a partir das células do próprio
paciente.“A biofabricação significa
estarmos a introduzir na área da saúde o fabrico, com recurso a
moléculas biológicas, sistemas biológicos, para endereçar a diversas
doenças. O consórcio não está focado numa doença em particular. São
várias doenças que vão ser estudadas através da biofabricação, ou seja,
de tecnologias que levam ao desenvolvimento de materiais e terapias que
são muito mais biológicas e próximas daquilo que o nosso funcionamento
fisiológico”, explicou a investigadora.Atualmente
o grupo está a trabalhar na criação de um Livro Branco sobre
biofabricação e engenharia de tecidos que permitirá analisar a situação
atual deste setor e estabelecer previsões sobre a sua evolução.“O
objetivo desta publicação é fornecer dados para orientar futuras
decisões legislativas, administrativas ou económicas”, disse Ana Leite
Oliveira, frisando que o projeto não termina neste consórcio, dado que
cada parceiro tem outras parcerias a nível mundial e produz trabalho
individualmente, dando ao projeto “um alcance maior do que a própria
região”.“Estamos a trabalhar na fronteira
do conhecimento. Aquilo que estamos a fazer está ao mais alto nível
daquilo que se faz nesta área. Este Livro Branco não é um ‘report’ que
se vai confinar à eurorregião. Vai haver um cuidado de ter um mapeamento
global daquilo que são as estratégias para a utilização da
biotecnologia”, referiu.A investigadora
também destacou a integração de empresas porque “traz a este consórcio
uma visão já muito aplicada do que podem ser os resultados gerais deste
projeto”.Da Galiza, juntaram-se ao
consórcio a BFlow, que desenvolve dispositivos de microfluídica capazes
de imitar o comportamento de um órgão em laboratório, a Arbinova, que,
sob a marca Beta Implants, desenha e fabrica implantes para cirurgia
veterinária, e a iBoneLab, especializada em testes pré-clínicos de
biomateriais em tecidos vivos.A empresa
portuguesa que integra o consórcio é a ILof-Intelligent Lab on Fiber,
uma ‘spin-off’ nascida no INESCTEC e incubada na Faculdade de Medicina
da Universidade do Porto que oferece uma plataforma inteligente para o
desenvolvimento de medicamentos personalizados.O
consórcio inclui ainda a Fundación Biomédica Galicia Sur, o Instituto
de Investigaciones Marinas del CSIC, o Servizo Galego de Saúde, o
Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
(i3S), o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia e o
Instituto Superior de Engenharia do Porto.