Três quartos dos trabalhadores ferroviários franceses em greve

18 de out. de 2007, 12:37 — Lusa / AO online

 “A taxa de participação no movimento social de hoje cifrava-se, às 11:00 (10:00 em Lisboa), nos 73,5 por cento”, afirmou a direcção da Sociedade Nacional dos Caminhos-de-Ferro (SNCF) francesa num comunicado. “É uma enorme afluência!”, comentou um porta-voz. A adesão dos trabalhadores à greve é superior à da última grande greve nos transportes, em 1995, que, na altura de maior participação, se ficou pelos 67 por cento. A maioria dos sindicatos convocou para hoje uma greve de 24 horas, que poderá eventualmente prosseguir. No sector da energia, também em greve, cerca de 45 por cento dos trabalhadores aderiram à paralisação, segundo a direcção, ou 80 por cento, segundo os sindicatos. As sete federações sindicais da energia convocaram greve para hoje contra a alteração dos regimes especiais e a fusão da GDF (Gás de França) com a Suez, ao lado dos trabalhadores dos caminhos-de-ferro e dos trabalhadores da RATP, a empresa dos transportes de Paris. O governo francês reafirmou entretanto que não cederá no fundamental da alteração dos regimes especiais de reforma, apesar da greve. “O nosso estado de espírito é escutar, com a greve, os receios e as inquietações que se exprimem e tentar responder-lhes”, afirmou o porta-voz do governo, Laurent Wauquiez, adiantando contudo que o aumento da duração da quotização, dos actuais 37,5 anos para 40 anos até 2012, “é algo sobre que não se pode ceder”. Adiantou que o actual governo “sempre foi muito claro” quanto a esta questão. “O texto que está sobre a mesa para os sindicatos é fruto de 80 horas de negociações”, não foi imposto “a ferros”, sublinhou Wauquiez. Por seu turno, o ministro do Trabalho, Xavier Bertrand, afirmou estar “pronto a receber” novamente os sindicatos “a partir da próxima semana”. O Presidente Nicolas Sarkozy, convicto de ter o apoio da maioria dos franceses, garantiu terça-feira que não recuará nesta reforma. A greve, entretanto, fez hoje que os parisienses tomassem de assalto as bicicletas de uso gratuito “Vélib”, recentemente lançadas em Paris, face à ausência dos transportes públicos. Às 09:00 (08:00 de Lisboa), 27.000 bicicletas tinham sido retiradas dos seus pontos de estacionamento, “quase o dobro” das 14.000 utilizações habituais à mesma hora, segundo a câmara de Paris.