Três quartos dos municípios sem resultados satisfatórios de eficiência financeira em 2021
7 de nov. de 2022, 13:32
— LUSA/AO Online
De
acordo com o documento, a que a Lusa teve acesso, foram 74 os
municípios que apresentaram um nível satisfatório com base na conjugação
de nove indicadores, ao obterem uma pontuação total superior ou igual a
50% da pontuação global.“Em face deste
cômputo, a situação não foi muito favorável aos restantes 234 municípios
(76% do total do universo), os quais apresentaram uma pontuação global
inferior a 50% da pontuação total do ‘Ranking Global’, isto é, uma
pontuação inferior a 900 pontos”, é salientado.Segundo
o Anuário, 43 dos 74 municípios com desempenho satisfatório obtiveram
uma pontuação entre 50% e 70% da pontuação máxima possível (1.800
pontos).No Anuário, o ‘ranking’ global da
prestação dos municípios apresenta apenas as 100 autarquias que
obtiveram as melhores prestações.A melhor
pontuação foi atingida pelo município de Sintra (1.600 pontos num máximo
possível de 1.800), seguida por Santa Maria da Feira (1.511) e Marinha
Grande (1.501).Apenas sete municípios
tiveram pontuação igual ou superior a 80%: três deles foram municípios
de grande dimensão (Sintra, Santa Maria da Feira e Maia), dois de média
dimensão (Marinha Grande e Abrantes) e dois de pequena dimensão (Santana
– Madeira - e Grândola).O município de
Lisboa não está nos 100 melhores desempenhos deste índice global.
Ausentes estão também outras capitais de distrito, como Beja, Braga,
Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do
Castelo, Vila Real, Viseu e a maior cidade da Madeira, Funchal.Segundo
o documento, em 2021, nos 100 municípios com melhor classificação, 14
são de grande dimensão, 34 de média dimensão e 52 de pequena dimensão.“Representando
os pequenos municípios 60,1% do total do universo, conclui-se que,
genericamente, os municípios de pequena dimensão são os que apresentam
maior dificuldade em integrar o ‘ranking’ dos 100 melhores municípios,
em termos de eficácia e eficiência financeira, situação justificada,
essencialmente, pelo baixo valor de receitas próprias, designadamente as
provenientes de impostos”, é salientado.Em
termos de distritos, Aveiro, Faro, Leiria e Lisboa têm metade ou mais
de metade dos seus municípios na lista dos 100 melhores do país em
termos de eficácia e eficiência financeira, é destacado.O distrito de Viana do Castelo não tem nenhum município na lista dos 100 melhores desempenhos.O
‘ranking’ tem em conta a ordenação global dos municípios de acordo com o
seu desempenho na conjugação de nove indicadores: índice de liquidez,
razão entre os resultados antes de depreciações e gastos de
financiamento (EBITDA) e os rendimentos operacionais, peso do passivo
exigível no ativo, passivo por habitante, grau de cobertura das despesas
(despesa comprometida/receita liquidada liquida), grau de execução do
saldo efetivo, na ótica dos compromissos, índice de dívida total, índice
de superavit e impostos diretos por habitante.O
Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses relativo a 2021 é da
autoria de um grupo de investigadores, com coordenação da professora
Maria José Fernandes, do Centro de Investigação em Contabilidade e
Fiscalidade(CICF) – Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e do
Centro de Investigação em Ciência Política (CICP) – Universidade do
Minho.O documento é realizado desde 2004
(relativo a 2003) com o apoio da Ordem dos Contabilistas Certificados
(OCC) e após a apresentação poderá ser consultado em www.occ.pt.