Três meses de intervalo entre doses de vacina Oxford/Astrazeneca dão mais eficácia
Covid-19
19 de fev. de 2021, 18:30
— Lusa/AO Online
Os
resultados publicados com base em testes feitos em mais de 17.000
pessoas indicam que “a vacina é mais eficaz com um intervalo mais longo
entre a primeira e a segunda tomas”, registando 85% de eficácia após
três meses contra 55% num intervalo até seis semanas.As
conclusões da análise “sugerem que o intervalo entre doses pode ser
alargado de forma segura para três meses, dada a proteção que uma dose
única confere, o que poderá permitir que os países vacinem uma fatia
maior da população mais depressa”.A apoiar
essa ideia estão os resultados de eficácia da primeira dose nos três
meses seguintes, que atinge "76% a partir do 22.º dia a seguir à
inoculação".Será essa uma maneira de
contornar as limitações no fornecimento de vacinas, sugerem os
responsáveis pelo estudo, cujo principal autor, Andrew Pollard, sugere
que “vacinar mais pessoas com uma única dose pode conferir maior
proteção imediata à população do que vacinar metade das pessoas com uma
segunda dose”.“A longo prazo, uma segunda
dose deverá garantir imunidade prolongada, por isso encorajamos toda a
gente que tenha tomado uma dose a receber ambas”, afirma o docente da
Universidade de Oxford, no Reino Unido.Os
autores frisam que não chegaram a conclusões absolutas sobre quanto dura
a imunidade conferida por uma dose única da vacina, uma vez que os
testes não foram para além de três meses de intervalo.Na
análise, os autores do estudo incluíram dados provenientes de análises
feitas a 17.178 pessoas no Reino Unido, Brasil e África do Sul.Os
participantes no estudo que tomaram as duas doses com um intervalo de
12 ou mais semanas tiveram mais proteção (81%) do que as pessoas que
tomaram as duas doses com menos de seis semanas de intervalo (55%).A
resposta imunitária, com desenvolvimento de anticorpos, foi duas vezes
mais forte no grupo que tomou as vacinas com um intervalo maior,
acrescentam os autores do estudo.Quanto à
redução de transmissão de contágio pelo novo coronavírus, os autores
estimam que a primeira dose poderá levar a uma redução de 64%, enquanto
as duas doses poderão conseguir uma redução de 50%, embora não se tenham
debruçado especificamente sobre esse efeito.Registaram
“uma redução no número total de casos positivos, o que pode indicar que
as vacinas podem reduzir as infeções”, mas “serão necessárias
avaliações sobre como a vacina está a funcionar na população para
confirmar este resultado preliminar”.Salientam
que os intervalos diferentes entre tomas não foram propositadamente
induzidos, mas que resultaram “da logística complexa de conduzir ensaios
clínicos alargados durante uma pandemia”.“Estes resultados são análises exploratórias posteriores e podem sofrer de vários vieses”, notam.